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"Ela leva os filhos para Paris e eu vou ao cemitério para ver o meu filho", desabafa mãe do menino Miguel nas redes sociais

Em publicação nas suas redes sociais, a mãe do menino Miguel, Mirtes Renata, desabafou e protestou contra Sari Corte Real continuar respondendo a condenação de sete anos de prisão em liberdade

Por Bartô Leonel

Em publicação realizada nesta quarta-feira (18), a mãe do menino Miguel, Mirtes Renata, protestou contra Sari Corte Real continuar respondendo a condenação de prisão em liberdade

A mãe do menino Miguel, Mirtes Renata, voltou a usar as redes sociais para desabafar e protestar contra a continuidade da empresária e ex-primeira-dama de Tamandaré, Sari Corte Real, responder em liberdade à condenação de sete anos de prisão por abandono de incapaz com resultado morte.

Em publicação realizada nesta quarta-feira (18), Mirtes Renata enfatiza a condenação de Sari pela morte do seu filho, Miguel Otávio, e destaca imagens da ex-primeira-dama de Tamandaré realizando uma viagem para Portugal, que segundo a publicação, foi feita nas férias do fim de 2025.

“Sari segue vivendo sua vida normalmente. Viaja, tira férias na Europa com seus filhos, faz planos, segue sorrindo.E eu? Eu nunca mais poderei viajar com Miguel. Nunca mais poderei mostrar o mundo a ele. Meu filho sequer teve a chance de conhecer plenamente a terra onde nasceu”, destacou Mirtes na publicação.

Em outra imagem da publicação, a mãe do menino Miguel juntou duas fotos, na qual, na parte superior, é possível ver Sari Corte Real em Paris com seus filhos. Na parte inferior da imagem, Mirtes destacou o túmulo do filho, que morreu após cair, em junho de 2020, do 9º andar do condomínio Píer Maurício de Nassau, conhecido como Torres Gêmeas, no bairro de São José, na área central do Recife.

“Ela leva os filhos para conhecer Paris. Eu vou ao cemitério para ver meu filho. Ela faz planos, sorri e segue a vida normalmente. Eu preciso lutar por justiça e para que meu neguinho não seja esquecido”, destacou outro trecho da publicação.

Ainda no post, Mirtes Renata cobra a “impunidade” do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) sobre o caso.

“Ela foi condenada, mas segue livre, recorrendo em liberdade.Eu não fui condenada por tribunal algum, mas cumpro prisão perpétua na ausência do meu filho.Isso é justiça?TJPE, quando será marcada a data do julgamento dos recursos? Quando teremos uma resposta que realmente represente justiça? Quando a condenação deixará de ser apenas no papel?”, questionou Mirtes Renata.

Também em publicação nas redes sociais, a atriz Luana Piovani postou um vídeo cobrando justiça pelo menino Miguel e pedindo uma mobilização dos pernambucanos sobre o caso.

“Galera, vocês aí do estado de Pernambuco, da cidade do Recife, vocês têm que fazer alguma movimentação, vocês têm que repostar, façam vocês mesmos vídeos. Cara, essa mulher não podia ter passaporte. Como é que ela viaja depois de ter causado o óbito de uma criança de quatro anos?”, questionou a atriz.

Condenação

Em julho do ano passado, a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) julgou os embargos de declaração relacionados ao processo criminal que condenou Sari Mariana Gaspar Corte Real pela morte do menino Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos.

Na época, o desembargador relator Eudes dos Prazeres França acatou parcialmente recurso dos advogados de Mirtes Renata Santana de Souza, mãe de Miguel, e rejeitou os embargos da defesa de Sari.

Com isso, a pena de sete anos em regime fechado por abandono de incapaz com resultado morte foi mantida. O voto do desembargador foi seguido de forma unânime pela 3ª Câmara Criminal.

Todos os embargos impetrados pela defesa de Sari na época foram totalmente rejeitados. Ela alegava contradição sobre a caracterização de dolo eventual e omissão de obscuridade quanto à demonstração de previsibilidade do risco e à configuração do agravante do motivo fútil.

Inicialmente, Sari foi condenada a oito anos e seis meses de prisão por abandono de incapaz com resultado morte em decisão de primeiro grau. Um ano e meio depois, a pena foi reduzida para sete anos em regime fechado após julgamento de apelação da defesa.

Outros processos

Na semana passada, a ministra Daniela Teixeira, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), revogou a liminar que havia suspendido o processo trabalhista de Mirtes Renata, mãe do menino Miguel Otávio, contra Sari Gaspar Corte Real.

Teixeira concluiu que não há conflito de competência envolvendo o processo e revogou a liminar concedida em 2024. Na decisão, assinada no dia 10 de fevereiro, a ministra relatora concluiu que o pedido de danos morais na ação em questão se apoia em questões do direito laboral, distanciando-se da demanda na esfera cível.

A ação trabalhista se baseia nos fundamentos de fraude contratual, decorrente da alegação de que Mirtes e a mãe, Marta Maria, eram funcionárias fantasmas da Prefeitura de Tamandaré, trabalho em período de isolamento da pandemia da Covid-19 e racismo estrutural, diante do fato de que "a forma de prestação de serviço exigido pelo empregador e empregadora trouxe consigo a tragédia da morte do filho melhor de uma das domésticas, o que reflete tratamento discriminatório".

A relatora também destacou que não houve declaração expressa de competência ou incompetência dos juízes envolvidos ou controvérsia sobre reunião de processos, elementos que poderiam configurar conflito.

Além desse processo, Sari Corte Real foi condenada a restituir R$ 10 mil aos locatários do imóvel que ela havia alugado - o mesmo apartamento em que Sari morava na data em que o menino Miguel Otávio caiu do nono andar quando estava sob os cuidados dela.

Sari foi autora da ação contra os seus inquilinos, mas a juíza considerou que ela agiu por litigância de má-fé, com intuito de induzi-la a erro para obter vantagem indevida.

Relembre o caso do menino Miguel

Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, morreu no dia 2 de junho de 2020, quando estava aos cuidados de Sari, ex-primeira-dama de Tamandaré, no Litoral Sul de Pernambuco. Após ser deixada sozinha no elevador do Condomínio Píer Maurício de Nassau, na área central do Recife, a criança subiu até o nono andar, de onde caiu.

Mirtes havia descido para passear com a cadela de seus patrões. Sari chegou a ser presa em flagrante e autuada por homicídio culposo, sendo liberada após pagar fiança de R$ 20 mil.