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Pacto contra feminicídios lançados pelo governo foi anunciado no estado

Em dezembro, Lula esteve em Pernambuco e fez um discurso comovido diante de casos recentes que tinham ocorrido, inclusive no Recife

Por Diario de Pernambuco

Terreno onde aconteceu tragédia, na Iputinga, está sendo limpo pela prefeitura

Lançado nesta quarta-feira (4), em Brasília, o pacto nacional para o enfrentamento ao feminicídio foi proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há dois meses, durante uma visita sua a Pernambuco.

Naquele momento, ele deu uma ideia do que seria esse pacto.

Tudo aconteceu no dia 2 de dezembro de 2025. Lula fez um emocionado discurso no estado e falou sobre casos de feminicídios registrados em vários lugares do país naquele período.

Um deles aconteceu justamente no Recife, dias antes da visita presidencial: a tragédia da comunidade de Icauã, na Iputinga, na Zona Oeste do Recife. Em um sábado, Isabelle Macedo, que estava grávida de dois meses, foi morta pelo companheiro, o eletricista Aguinaldo Alves.

O homem também matou quatro filhos do casal, colocando fogo na casa e trancando todos juntos.

“É a primeira vez na história deste país, ou talvez do mundo, que o presidente da República vai assumir uma campanha junto com todos os homens de caráter para que ninguém faça violência contra as mulheres nesse país. Ninguém”, disparou o presidente durante a entrega da Barragem de Panelas II, em Cupira, no Agreste.

Lula disse ter sido abordado pela esposa, a primeira-dama Janja da Silva, no avião, a caminho de Pernambuco, que teria se emocionado com os casos recentes de violência brutal contra a mulher e contra crianças em vários estados do Brasil.

“Essa semana, domingo à noite, a Janja estava chorando por causa de uma matéria no jornal. Um canalha que atropelou a mulher, a arrastou e a mulher perdeu duas pernas. Depois ela estava chorando porque no dia seguinte, no Recife, outro cidadão trancou a mulher grávida dentro de casa com os filhos e ateou fogo na casa e matou todos. E depois ela estava chorando porque viu um outro cara pegar duas pistolas e matar a mulher dele. Hoje então eu fico me perguntando que mundo é esse? Que mundo é esse?”, indagou.

“Se o cara tiver dinheiro, como o que deu 60 socos na cara da mulher no elevador, fica só dois anos preso. E um cara que rouba um pão, não tem advogado, fica na cadeia”, complementou. O presidente ainda questionou as leis em vigor no país: “O Código Penal Brasileiro (1940), tem pena para fazer justiça a um animal irracional como esse?”.

Lula fez o chamamento aos homens presentes na agenda em prol da campanha contra a violência de mulheres e crianças. “Não é possível que a gente não tenha sido educado para não ser violento. Se você vai morar com alguém, por que violentar esse alguém? Por que bater? Então eu queria convidar vocês homens a fazer uma campanha com isso. Eu queria convocar vocês. Quem tiver disposição para participar dessa campanha em defesa da dignidade do respeito às mulheres, levanta a mão aqui para a genteD mostrar na fotografia. Aliás, eu vou dizer: ‘Para mim, quem bater na mulher não precisa votar em mim. É isso. Quem for violento contra a mulher não precisa votar em mim’”, afirmou o presidente.