A vivência sofrida de uma mãe que fez florescer uma casa de esperança na Zona Oeste do Recife
Fundada pela aposentada Antônia de Oliveira, que conviveu por mais de 20 anos com dependência química do filho, a ONG Florescer Casa Rosa promove doações de alimentos e atividades culturais na Mustardinha
Foi o convívio com um filho dependente químico, e o choro de outras mães que viviam a mesma realidade, que fez com que a aposentada Antônia de Oliveira, de 75 anos, iniciasse há 23 anos a doação de um café da manhã coletivo para moradores do bairro da Mustardinha, na Zona Oeste do Recife.
Essa ação, que atualmente acontece aos domingos, foi o embrião para o surgimento da ONG Florescer Casa Rosa.
Com mais de 10 anos de fundação, a ONG ajuda mais de 100 famílias na Zona Oeste da capital pernambucana, promovendo doação mensal de cestas básicas e distribuição de sopa todas as quartas-feiras.
Além das doações de alimentos, a Florescer Casa Rosa também promove aulas de ballet, que atualmente beneficia 20 meninas, curso de crochê e aulas de música.
A ideia da iniciativa é tentar diminuir as dificuldades de pessoas da localidade e evitar com que as crianças entrem no mundo das drogas e tenham o mesmo destino do que o do filho mais novo de Antônia de Oliveira.
Falecido em 2024, após um desentendimento provocado por uma venda de uma moto roubada, José de Oliveira passou 13 vezes por centros de recuperação de drogas, mas sempre tinha recaídas assim que retornava para casa.
“Quando presenciei a realidade do meu filho, por volta do início dos anos 2000, e vi outras mães chorando à procura dos filhos, eu disse a mim mesma: ‘Meu Deus, que coisa mais errada. Tenho que fazer alguma coisa para tirar esses jovens da rua’. E foi assim que surgiu a ideia de disponibilizar o café da manhã, que foi evoluindo com o passar do tempo, até criarmos uma ONG que promove várias atividades”, explicou a fundadora da ONG.
Além das ações desenvolvidas no Grande Recife, Antônia de Oliveira, que é natural de Garanhuns, no Agreste do estado, ainda consegue fazer doações de roupas para pessoas de cidades do interior de Pernambuco.
Dificuldades financeiras
Apesar de pagar aluguel de sua residência, Antônia de Oliveira continua promovendo as ações da iniciativa, que fez com que algumas pessoas deixassem o vício e conseguissem empregos para sustentar as famílias.
Porém, manter as atividades da organização, que se sustentam atualmente por meio de doações de colaboradores e ajudas de outras ONGs, como o movimento Cores do Amanhã, ainda é um problema enfrentado pelos voluntários.
“É óbvio que manter uma ONG é muito difícil, pois têm parceiros que não conseguem ajudar todos os meses e isso dificulta a montagem das cestas básicas. A questão dos voluntários também é outro problema, pois é difícil conseguir pessoas para ajudar. O que eu acho interessante é que todo mundo que veio me ajudar, arrumou um emprego. Fico feliz por eles, mas triste pela ONG, pois vamos perder um voluntário. Mesmo assim, eu vou levando as ações da ONG”, afirmou a Antônia de Oliveira.
Apesar das dificuldades, a luta para promover uma mudança na vida das pessoas, principalmente nas crianças, faz com que qualquer barreira financeira seja superada com o amor e coragem da ONG Florescer Casa Rosa.
“Me sinto muito feliz, pois mesmo com essa idade, ainda tenho ânimo para me levantar e ajudar o próximo. Desde pequena, eu queria ajudar as pessoas e dar comida às pessoas que estão em situação de rua. Eu já passei muita fome, sei bem o que é isso. Então, o que me deixa feliz é ver uma criança conseguir algum biscoito aqui na ONG. Pode faltar tudo, aqui, na Florescer Casa Rosa, mas o que não falta é amor e alimento para os pequenos”, finalizou.