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Carnaval 2026: Olinda divulga os homenageados da folia na cidade

Além dos dois nomes já escolhidos, a população poderá escolher outros dois homenageados de Olinda para o Carnaval 2026

Por Bartô Leonel

Mestra Dona Aurinha é uma das homenageadas já definidas para o carnaval 2026

O Carnaval 2026 da Marim dos Caetés já tem alguns dos seus homenageados definidos. A Prefeitura de Olinda divulgou, nesta sexta-feira (23), as duas personalidades, em vida e em memória, que receberão o Título História Viva.

As duas figuras emblemáticas da cidade são a mestra de Coco de Roda, Dona Aurinha, e o carnavalesco mais antigo ainda em atividade, Ernane Lopes.

Falecida em 2022, no Rio de Janeiro, Dona Aurinha do Coco se destaca por guardar por 63 anos vários saberes ancestrais da cultura pernambucana.

Referência no Coco, Dona Aurinha era presença marcante nas rodas e dedicou sua vida a manter viva uma das expressões mais pulsantes da tradição nordestina.

Além de artista, Dona Aurinha foi uma educadora que serviu como referência e inspiração para gerações de brincantes, músicos e pesquisadores da cultura popular, pois transmitia e ensinava a história do Coco de Roda como herança coletiva, construída na oralidade e na vivência comunitária.

Com relação a Ernane Lopes, que tem 70 dos seus 81 anos dedicados à folia momesca, ele é reconhecido como o carnavalesco mais antigo ainda em atividade de Olinda.

Natural da cidade, Ernane é o fundador do boneco gigante Menino da Tarde, criação que se firmou como símbolo da alegria, da irreverência e da identidade cultural do carnaval. Ao longo de sua trajetória, Ernane se dedicou à preservação, valorização e renovação das tradições carnavalescas da cidade.

Votação

Além das duas homenagens já definidas, os olindenses também podem participar, por meio de votação popular no site da Prefeitura de Olinda, da escolha de outros nomes que marcaram o Carnaval da cidade.

Entre as personalidades, estão mestres, mestras e fazedores da cultura que mantêm vivas as tradições de Olinda.

Conheça os outros candidatos a homenageados do Carnaval 2026

Durante a votação, que seguirá até às 23h59 da terça-feira (27), a população poderá escolher dois candidatos, sendo um em vida e o outro em memória. Os candidatos são importantes nomes da cultura carnavalesca da Marim dos Caetés.

Homenageados em vida

Malu – Maracatu Axé da Lua

Dirigente do Maracatu Axé da Lua, José Maria de Farias, o Malu, é uma referência na preservação e no fortalecimento da cultura afro-pernambucana em Olinda. Com uma trajetória iniciada nas décadas de 1980 e 1990, Malu participou ativamente da construção de espaços de expressão da negritude em Olinda.

Atuou em afoxés, blocos afro, grupos de teatro e formações de samba-reggae, contribuindo para ações culturais que iam além do desfile, envolvendo debates, encontros e mobilização comunitária.

Atualmente, ela é responsável pela articulação dos integrantes, pela organização das apresentações e pela continuidade dos fundamentos que sustentam o grupo enquanto expressão cultural, política e espiritual.

Eraldo Gomes – Carnavalesco

Filho de José Miguel Gomes, ex-presidente do Homem da Meia-Noite, e neto de Zé de Lúcia, um dos fundadores do Clube Lenhadores de Olinda, Eraldo Gomes contribui com a preservação da cultura popular de Olinda.

Com formação cultural ligada desde a infância às agremiações e às manifestações da cultura popular olindense, Eraldo atua nas áreas do carnaval, do artesanato, das artes plásticas e da preservação do patrimônio cultural material e imaterial da cidade.

Ele é um dos fundadores da Troça Carnavalesca Menina da Tarde, criada em 1977. Além disso, em 1979, ele fundou a Troça Carnavalesca Mista John Travolta, que se consolidou como uma das mais representativas de Olinda.

André dos Clarins

Integrante do tradicional Grupo Clarins de Olinda, André Luiz de Melo Neto, o André do Clarim, atua no anúncio das agremiações carnavalescas, função histórica que marca o início dos desfiles.

Ao longo de sua trajetória, acompanhou diversas agremiações em viagens, participando de apresentações em diferentes localidades. Sua formação musical foi iniciada na década de 1980, quando integrou uma banda marcial, base que consolidou sua atuação no carnaval e no trabalho com os clarins.

O uso dos clarins como anúncio da chegada das agremiações tornou-se marca de diversos grupos do carnaval pernambucano, entre eles Homem da Meia-Noite, Cariri Olindense, Elefante de Olinda, Boi da Macuca, entre outros

Carlos da Burra – bonequeiro

Uma das principais referências em vida da tradição dos bonecos de Olinda, Carlos da Burra é reconhecido como um dos mais importantes manipuladores de bonecos gigantes, com atuação que ultrapassa décadas.

Carlos iniciou sua trajetória ainda na adolescência, aos 14 anos, após se encantar, na infância, com o Homem da Meia-Noite. Desde então, construiu uma caminhada marcada pela vivência popular, levando a ocupar, atualmente, o posto de carregador titular do Homem da Meia-Noite, símbolo máximo do carnaval olindense.

Ao longo de sua trajetória, conduziu bonecos que se tornaram marcantes na história cultural da cidade, como Menino da Tarde, Menina da Tarde, John Travolta, Garoto de Vassoura e Chorão.

Destaca-se a relação contínua com o Garoto de Vassoura, conduzido por Carlos desde a fundação do boneco, há mais de três décadas, numa ligação rara no carnaval de Olinda.

Dona Del do Coco

Nascida no Sítio Escalvada, no município de Timbaúba, Zona da Mata Norte de Pernambuco, Deonice Francisca Conceição da Silva, conhecida artisticamente como Dona Del do Coco, é uma cantora, compositora e poetisa popular, com atuação marcante nos ritmos do coco, da ciranda, do forró e do samba.

Filha de pais e avós agricultores, herdou da família a arte musical e a ligação com os ritmos tradicionais. Seu pai era sanfoneiro e coquista, e seus avós dominavam os ritmos do coco e da ciranda, influências que marcaram profundamente sua formação artística.

Figura reconhecida no estado, participa ativamente do Carnaval, além de outros eventos culturais ao longo do ano, como o Encontro de Coco de Pernambuco.

Durante a infância, cantava enquanto trabalhava na roça. Caçula de 25 irmãos, compôs sua primeira música aos 9 anos, intitulada "O Lencinho", dando início a uma trajetória autoral que se mantém ao longo da vida.

Ao todo, Dona Del do Coco gravou dois CDs e consolidou-se como referência da cultura popular pernambucana.

Homenageados em memória

Dona Janete (In Memoriam)

Reconhecida como uma das matriarcas do Maracatu Nação Leão Coroado, sediado no bairro de Águas Compridas, Dona Janete Hora de Aguiar é considerada uma das maiores referências da cultura popular de Olinda, onde se dedicou por mais de três décadas ao maracatu.

Falecida em 2022, Dona Janete exerceu, desde 2003, a função de Dama do Paço do Leão Coroado, conduzindo a calunga Dona Izabé, símbolo sagrado que representa o orixá protetor do maracatu.

Chegou a Olinda ainda criança, em 1958. Dona Janete construiu uma trajetória marcada pela dedicação cotidiana ao maracatu, seja na costura, no bordado ou na organização do Leão Coroado, no qual se tornou integrante a partir de 1991.

Maestro Lessa – José Bezerra da Silva (In Memoriam)

Um dos principais nomes da preservação do frevo de rua, o Maestro Lessa, falecido no ano passado, é uma das referências mais importantes do Carnaval de Olinda.

Maestro, regente e formador, José Bezerra da Silva construiu uma trajetória dedicada à difusão da música carnavalesca nas ruas de Olinda e do Recife, com rigor musical e compromisso com a cultura popular.

Natural de Nazaré da Mata, iniciou sua formação musical como trombonista e, a partir da década de 1990, consolidou-se como regente de frevo.

Fundou a Orquestra do Maestro Lessa, que se tornou presença constante em desfiles e cortejos carnavalescos, acompanhando algumas das mais tradicionais agremiações do estado.

Ao longo de décadas, esteve à frente de blocos históricos como Pitombeira dos Quatro Cantos, Clube Vassourinhas, Tá Maluco e Amantes de Glória, contribuindo diretamente para a manutenção do frevo de rua com disciplina, respeito aos arranjos e fidelidade à tradição.

Pedro Sapateiro (In Memoriam)

Primeiro porta-estandarte da tradicional Troça Carnavalesca Ceroulas de Olinda, Pedro Salomão do Ó, mais conhecido como Pedro Sapateiro, exerceu a função por cerca de cinco décadas, tornando-se uma figura histórica do Carnaval da cidade.

Nascido em 1923, no município de Igarassu, Pedro Sapateiro chegou a Olinda aos nove anos, passando a residir no bairro do Guadalupe. Iniciou sua história no Carnaval aos 12 anos, dedicando sua vida às tradições culturais de Olinda e de Pernambuco

Ao longo de sua vida carnavalesca, Pedro Sapateiro, que faleceu em 2016, teve passagem por diversas agremiações tradicionais, entre elas Clube Carnavalesco Misto Elefante de Olinda, Pitombeira dos Quatro Cantos, A Porca, Marim dos Caetés, entre outras.

Dona Glorinha do Coco (in memoriam)

Neta de pessoas escravizadas, Maria da Glória Braz de Almeida, mais conhecida como Dona Glorinha do Coco, é uma das referências da tradição do Coco de Roda olindense.

Nascida no bairro do Amaro Branco, em 1934, Dona Glorinha do Coco foi uma das líderes culturais do Coco de Roda, sendo reconhecida como artista, formadora e guardiã da tradição oral da cidade.

Falecida em 2024, sua trajetória permanece profundamente ligada à história das manifestações culturais tradicionais da cidade, especialmente aquelas que têm no coco uma expressão de identidade, ancestralidade e resistência.

Antônio Tomás de Oliveira (in memoriam)

Mestre da Arte dos Bonecos Gigantes e Construtor do Carnaval de Rio Doce, em Olinda, Antônio Tomás de Oliveira foi um dos principais nomes da construção artística e carnavalesca da cidade.

Artista autodidata, Tomás atuou intensamente na formação de novos criadores, compartilhando conhecimentos técnicos e sensíveis que influenciaram gerações de artistas. Entre eles, destaca-se Max Pietro, que hoje dá continuidade ao seu legado na arte dos bonecos gigantes.

Sua primeira boneca gigante, a Rainha, foi criada para o bloco Folia dos Reis, agremiação da qual Tomás foi presidente. A obra marcou o início de sua trajetória artística e tornou-se símbolo histórico de sua contribuição ao Carnaval de Olinda. Atualmente, a boneca é preservada como patrimônio vivo de sua memória.

Além dos artesãos, Antônio Tomás, que faleceu em 2015, foi diretor plástico do bloco Gota D'Água, idealizador do primeiro passódromo do Carnaval de Olinda, instalado na Praça do Jacaré, na década de 2000.

Outras contribuições de Antônio Tomás foi articular o Polo Carnavalesco de Rio Doce e criar a Associação Carnavalesca do bairro.