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Família de pernambucana morta na Alemanha desiste de translado e relata desgaste emocional

Luciana Soares da Silva, de 41 anos, morreu no dia 15 de dezembro por inalação de gás. Família pede ajuda para fazer cremação do corpo

Por Adelmo Lucena

Luciana deixou três filhos. Ela vivia com os menores na Alemanha

Após quase um mês de tentativa, a família da pernambucana Luciana Soares da Silva, de 41 anos, decidiu não mais realizar o translado do corpo para o Brasil após a morte da brasileira na Alemanha, provocada pela inalação de gás que vazou do sistema de aquecimento da residência onde ela vivia. O caso aconteceu no dia 15 de dezembro.

Sem conseguir reunir o valor necessário para a repatriação, estimado em cerca de R$ 80 mil, os familiares agora concentram esforços para arrecadar aproximadamente R$ 30 mil e viabilizar a cremação no próprio país europeu. A mobilização acontece por meio de uma campanha de arrecadação online.

A filha de Luciana, Larissa Kevlyn Sares da Silva, 21 anos, disse em entrevista ao Diario de Pernambuco que o IML da Alemanha informou que a mãe dela só pode permanecer no local até a próxima segunda-feira (12).

Luciana estava na Alemanha desde janeiro do ano passado, onde vivia com o companheiro, de nacionalidade alemã. O casal tinha uma filha de apenas dois meses, Maria. Também moravam na casa o filho dela, Kauã, de oito anos, e o enteado, de 14. Todos chegaram a ser socorridos e levados ao hospital após o vazamento de gás, mas apenas Luciana não resistiu.

Segundo Larissa, as crianças tiveram alta primeiro por estarem no pavimento superior da residência, o que reduziu a exposição ao gás. Elas seguem na cidade de Cölbe, sob acompanhamento de uma equipe de acolhimento, enquanto parentes tentam obter autorização judicial para trazê-las de volta ao Brasil.

De acordo com Larissa, o Conselho Tutelar tem repassado informações sobre as estadias das crianças na casa de acolhimento. O menino Kauã têm dito que aguarda que o pai vá buscá-lo algum dia. Já a caçula recebeu recentemente a atualização das vacinas mensais e se alimenta bem.

A filha de Luciana, o pai e a avó viajaram para a Alemanha no dia 20 de dezembro na tentativa de acelerar os trâmites legais. Larissa retornou ao Brasil no último domingo (4), após o fim do prazo de permanência permitido. O pai e a avó permanecem no país por mais duas semanas, aguardando uma decisão da Justiça alemã sobre a guarda e o retorno das crianças.

“Eu precisei voltar porque a gente comprou passagem para 15 dias, mas esses 15 dias não foram suficientes [para resolver]. Eu fui mais para dar o suporte emocional e burocrático, e como eu já tinha dado esse suporte, já tinha cumprido a minha missão lá. Agora a juíza já assumiu o caso."

A família relata que, apesar das tentativas de obter apoio institucional e das doações recebidas, o valor arrecadado até agora é insuficiente para o traslado do corpo, o que motivou a mudança de plano para a cremação. A campanha segue ativa para permitir que os familiares possam se despedir da pernambucana.

“O que está emperrando o processo é a demora na questão burocrática do governo da Alemanha. Eu acredito que, se tivesse um suporte, um apoio do governo federal do Brasil, isso já teria sido resolvido de forma mais rápida. A gente está fazendo tudo por conta própria, do nosso jeito”, destaca a filha de Luciana.

Larissa destaca que todo o processo têm resultado em desgaste emocional. “Está todo mundo desgastado. A família toda está desenvolvendo crises de ansiedade. Teve familiares que precisaram se afastar do trabalho. Minha irmã e meu irmão, minha mãe precisou ser afastada do trabalho logo no começo. Eu também precisei ser afastada, porque a gente não consegue trabalhar, não consegue fazer as atividades racionais com tudo isso.”

Além disso, a jovem destacou que a família não têm recebido apoio do companheiro de Luciana, que é alemão.