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Abandonada por tutores no Natal, cadela fica 6 dias no aeroporto do Recife até ser resgatada

A cadela foi abandonada em 25 de dezembro do ano passado, Dia de Natal, e passou uma semana no Aeroporto do Recife, na Zona Sul da Capital, até ser adotada por uma família do Grande Recife

Por Nicolle Gomes

Saúna está na casa da nova família, em Porto de Galinhas

Uma cadela foi adotada após ser abandonada e ficar seis dias no Aeroporto Internacional do Recife/Gilberto Freyre/Guararapes, na Zona Sul da capital pernambucana.

O animal foi deixado para trás pelos antigos donos, após um problema na documentação necessária para se viajar com um bicho de estimação.

O caso aconteceu no último Natal (25), viralizou nas redes sociais na sexta (2), e teve um desfecho feliz.

Nesta segunda (5), a reportagem do Diario conversou com a mulher que decidiu adotar o pet. Jessyca Paixão, de 31 anos, contou que, segundo testemunhas no aeroporto, a cadela iria viajar com a antiga família, mas devido a problemas na documentação, foi deixada para trás.

“Na hora de viajar, parece que as documentações estavam incompletas, alguma coisa assim, tiraram a coleira, deixaram ela lá jogada e foram embora. As pessoas do aeroporto, os taxistas, todo mundo confirmou essa história”, afirmou.

Jessyca foi uma das primeiras pessoas a ver o vídeo no Instagram e manifestar o desejo de adotar a cadelinha, agora batizada com o nome de ‘Saúna’.

“Eu não pensei em duas vezes quando vi a história. Tinha acabado de comentar. Acho que fui a quinta a fazer o comentário. Ela tinha acabado de postar, e eu já falei logo: ‘alguém já adotou ela? Eu quero ela’. Eu já estava me organizando com a mulher que divulgou o vídeo para ir buscar Saúna no Aeroporto, mas apareceu um lar temporário. A gente já ficou mais tranquilo, sem pressa, porque ela ia para casa da Rafaela, ficar à noite lá para depois vir para aqui para casa. E nesse tempo ela foi alimentada e depois a Rafaela trouxe ela até mim”, contou.

Saúna é dócil e muito amorosa e não tem sinais de maus tratos ou condições físicas limitadas, compartilhou Jessyca. Ela já está no novo lar em Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco, com Jessyca, o marido dela e outros cinco cachorros. A conexão, segundo a tutora, foi instantânea.

“Não hesitei em adotá-la, porque eu tenho vários cachorros aqui em casa. São cinco pets, seis com ela, agora. A gente tem um amor muito grande por eles e a gente jamais faria isso. Ela é extremamente doce, parece que já é da gente há muitos anos. Ela parece um bebezão. Ela está muito bem, graças a Deus, muito bem-adaptada aqui em casa”, relatou.
Sobre a escolha do nome, Jessyca explicou que aconteceu por afinidade com a pescaria, um hobby do casal.

“Eu achei tão lindo esse nome, porque a gente é um casal de pescadores e ele falou bem assim: ‘Saúna’. Sauna é o nome de um peixe, mas eu achei tudo lindo, eu falei: ‘uma entonação tão bonita, esse nome e vai ser o nome dela’”.

A empatia da adoção

Jessyca compartilhou o sentimento de poder dar um final feliz para a Saúna.

“É uma felicidade, muita felicidade para a gente. Eu nem pensava que ia dar essa a repercussão toda. Primeiramente, a gente só pensou o que a gente sempre faz, porque já resgatamos vários outros animais. A gente resgata, cuida, solta na natureza, levamos para o povo adotar também. Já temos esse hábito, amamos muito os animais. São seres iguais à gente, não é lixo para ser descartado”.

A nova família de Saúna disse estar segura, caso dos antigos tutores voltarem a procurar a cadelinha.

“A gente não tem nenhum receio, até porque o abandono é crime. Já gente investigando esse caso. Então, se a gente não tem nenhuma preocupação não, até porque o que eles fizeram não é coisa de ser humano, então a gente nem se preocupa com isso não, a gente sabe dos nossos direitos. Eles não têm mais voz porque fizeram isso”, contou Jessyca.

A tutora também destacou a importância da adoção e como casos como o de Saúna podem incentivar positivamente a ação.

“É bom porque isso tudo incentiva, abre os olhos também de muitas pessoas. Existem pessoas que não foram feitas para ter bichinhos, então fica de alerta, e também incentiva muita gente a cuidar, a adotar também. Eu fico muito feliz assim por esse lado, sabe, da repercussão”.

Investigação

O Diario procurou a Aena Brasil, empresa responsável pela operação do Aeroporto do Recife. A empresa afirmou que não pode confirmar que a documentação foi o motivo do abandono por não conseguir localizar a companhia aérea com a qual a cadela viajaria.

Adoção responsável

No Recife, quem quiser adotar um pet e dar uma nova chance a bichinhos tem algumas opções seguras e gratuitas, como a plataforma Adota Pet e algumas ONGs como o Cantinho da Filó.

O Adota Pet já garantiu um novo lar para quase 170 cães e gatos por meio da tecnologia desde 2023. A plataforma ajuda a população a encontrar o animal ideal no site, e iniciar o processo de adoção, sendo possível conhecer o pet por chamada de vídeo, sem a necessidade do deslocamento até o local onde o cão ou gato se encontra (https://adotapet.recife.pe.gov.br/ ou através do APP Conecta Recife).

Outra facilidade promovida pelo Adota Pet é uma parceria com a Uber. A iniciativa permite que os animais adotados por meio da plataforma possam ser levados até suas novas casas com o suporte do serviço Uber Pet.

A ação conta com a distribuição de vouchers mensais no valor de R$ 40, custeados integralmente pela empresa de aplicativo, que poderão ser utilizados em corridas realizadas exclusivamente pelo Uber Pet no Recife. Os cupons serão concedidos de forma gratuita.

ONG

Há cinco anos, a ONG para adoção de Pets Cantinho da Filó deu início a um sonho de gerar uma clínica que, posteriormente, se transformou em hospital, o Hospital Veterinário SOS Animal.

A unidade de saúde e o abrigo se retroalimentam, pois os investimentos da clínica e do hospital são revertidos para o abrigo, que atualmente possui 500 animais à espera de um lar. Quem adota no hospital, tem garantido a microchipagem do PET, vermifugação, todos os exames preliminares de adoção, além de castração na idade certa e as demais consultas que se fizerem necessárias.