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Caso Master: Jaques Wagner atuou em três frentes no Senado para favorecer o banco

Senador atuou, segundo a PF, para tentar ampliar o crédito consignado e aumentar a cobertura do FGC, além de acompanhar a tentativa de venda do Master ao BRB

Por Estadão Conteúdo

Senador Jaques Wagner (PT-BA)

O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, usou o mandato para atuar em favor de interesses do Banco Master em ao menos três frentes, segundo a Polícia Federal, que realizou buscas em endereços ligados ao parlamentar nesta quinta-feira (18).

A investigação aponta a atuação de Wagner em propostas para tentar ampliar o crédito consignado, em iniciativas relacionadas ao aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e no acompanhamento da tentativa de venda do Banco Master ao BRB. Essas medidas, segundo a PF, eram estratégicas para as fraudes comandadas por Daniel Vorcaro.

A defesa de Jaques Wagner não se manifestou sobre a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apreendeu em um imóvel ligado ao senador US$ 49 mil dólares, o equivalente a R$ 252 mil. O espaço está aberto para manifestação.

A investigação da PF aponta que o senador manteve interlocução direta com o ex-sócio de Vorcaro, Augusto Ferreira Lima, sobre propostas legislativas e iniciativas parlamentares que poderiam beneficiar o Master. Alvo da primeira fase da Compliance Zero em novembro, Augusto Lima voltou a ser alvo de medidas da Polícia Federal nesta quinta-feira (18).

Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. A defesa de Lima afirmou que as buscas foram "desnecessárias".

Crédito consignado

A primeira frente de atuação de Wagner envolveu a ampliação do crédito consignado. De acordo com a PF, o senador atuou em medidas para aumentar a margem de empréstimos descontados em folha para trabalhadores da iniciativa privada, aposentados e pensionistas do INSS.

As discussões também incluíram a autorização para que beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de programas federais de transferência de renda passassem a ter acesso a empréstimos consignados. Segundo os investigadores, essa articulação resultou na apresentação de uma emenda posteriormente incorporada à legislação que ampliou o acesso a essa modalidade de crédito.

A PF destaca que a pauta tinha ligação direta com os negócios de Augusto Lima, responsável por implementar, durante os governos de Jaques Wagner na Bahia, um sistema de crédito consignado para servidores públicos que mais tarde foi incorporado ao Banco Master. Batizado de Credcesta, o modelo se tornou um dos principais ativos financeiros da instituição de Daniel Vorcaro.

Regras do FGC

A segunda frente envolve discussões sobre mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade que protege depositantes e investidores em caso de quebra de instituições financeiras.

Segundo a PF, a ampliação da cobertura do fundo, que acabou não se concretizando apesar dos esforços, era de interesse do Banco Master, que utilizava a garantia do FGC como um dos principais instrumentos para captar recursos no mercado. As investigações já haviam mostrado que o senador Ciro Nogueira recebeu pronta e apresentou emenda neste sentido. O ex-ministro da Casa Civil nega irregularidades.

Venda do Master

Na terceira frente, os investigadores apontam a atuação de Jaques Wagner em iniciativas relacionadas ao acompanhamento da tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Para a PF, o senador acompanhou de perto uma operação considerada estratégica para o futuro da instituição controlada por Daniel Vorcaro, posteriormente rejeitada pelo Banco Central.

Propina em imóvel

Diálogos extraídos no celular de Augusto Lima indicam que ele emprestou por diversas vezes seu avião particular para o líder do governo Lula no Senado e também bancou ingressos para o camarote de um show em Los Angeles, nos Estados Unidos.

A Polícia Federal afirma que essas vantagens se somam a outros pagamentos de propina feitos ao senador, como a compra de um apartamento de luxo de R$ 2,5 milhões e repasses de R$ 3,5 milhões para a empresa de familiares.