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Fechada durante operação da PF, PreviPaulista gera insegurança entre servidores municipais

Segundo a gestão municipal, o órgão volta a funcionar normalmente nesta quinta-feira (11)

Por Elaine Guimarães e Bartô Leonel

Sede da PeviPaulista

Israel Fideles, cuidador em saúde e servidor municipal, deslocou-se até a PreviPaulista para dar entrada em licença médica. O local, no entanto, estava de portas fechadas. "Eu não imaginava que não iria conseguir dar entrada nessa licença. Inclusive, eu posso ser prejudicado por causa disso, porque eles têm um prazo e, se a gente não cumpre esse prazo, a gente não recebe salário. Meu salário já está atrasado, inclusive. Coisa que nunca aconteceu em todos os anos que sou concursado", afirmou. 

Alvo da Operação Take Over, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (10), o Instituto de Previdência Social do Município do Paulista, na Região Metropolitana do Recife, deve retornar os atendimentos nesta quinta-feira (11), segundo informações da prefeitura enviadas ao Diario. Sem sinalizações nos canais oficiais, o órgão permaneceu fechado durante o dia de hoje e surpreendeu quem foi ao local.

À reportagem, Israel Fideles salientou que possui descontos no contracheque referentes à PreviPaulista. "É um desconto salgado, altíssimo. Infelizmente, têm questões aí que eu sei que o órgão está envolvido com o Banco Master, e a prefeitura não sabe dizer se o atraso [salarial] é por conta disso ou simplesmente não dão explicação. Só mandam um ofício dizendo que a Secretaria de Saúde está com dificuldade financeira".

Além disso, o servidor se diz preocupado com a possibilidade de investimentos do instituto, considerado de alto risco, junto ao Master. "Isso pode afetar de forma geral servidores que estão aposentados, pessoas que têm família. Tudo devido a um erro gritante de fazer um investimento no Banco Master, que não era um banco confiável e, mesmo assim, eles fizeram".

Operação Take Over

Na manhã desta quarta-feira (10), a Polícia Federal cumpriu 10 mandados de busca e apreensão em Paulista, no Recife e Rio de Janeiro, em residências físicas e empresas. As investigações apontam que mais de R$ 3 milhões do PreviPaulista teriam sido direcionados a investimento de alto risco, em desacordo com as normas legais e com os procedimentos de governança exigidos para a administração de recursos previdenciários.

Além disso, segundo a PF, as diligências pretendem verificar se houve o recebimento de vantagens indevidas pelos gestores do instituto. Por nota, a atual gestão da cidade informou que os aportes citados pela Polícia Federal ocorreram durante a gestão anterior, tanto da prefeitura, sob responsabilidade do ex-prefeito Yves Ribeiro, quanto da PreviPaulista, que foi comandada pelo ex-diretor-presidente Luiz Augusto da Silva Junior. 

Através das redes sociais, Yves Ribeiro afirmou que não autorizou ou realizou aplicações de recurso da previdência do Regime Próprio de Previdência do Paulista. De acordo com o ex-prefeito, a PreviPaulista é uma entidade autônoma, com conselhos, administração e investimentos próprios. "Posso afirmar que jamais iria orientar ou aconselhar investimentos em bancos que não fossem os bancos do Brasil e Caixa Econômica Federal ou bancos privados, como o Bradesco e Itaú", declarou.

Mais cedo, a atual gestora do órgão, Giovanna Maria Oliveira da Conceição Cordeiro, prestou esclarecimentos às autoridades. Mediante nota técnica, o PerviPaulista ressaltou que, desde o início das investigações, disponibilizou todas as documentações e informações solicitadas pelos agentes federais, "em total colaboração com o trabalho investigativo".

"O instituto registra que os fatos objeto da apuração se referem a ato praticado em fevereiro de 2024, no curso da gestão anterior, e reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos."