Mesmo com hospitais cheios, Saúde de PE defende sistema de "vaga zero" nas emergências
Secretária Zilda Cavalcanti reconheceu a pressão enfrentada nas emergências, mas afirmou que a superlotação é um problema estrutural enfrentado em todo o país.
Após uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (27), a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco reconheceu a existência de superlotação nos hospitais da rede pública, mas falou que o problema é histórico e negou que haja redução de leitos ou queda nos investimentos da saúde estadual. Mesmo diante de denúncias recentes de corredores lotados, pacientes em macas e dificuldades estruturais em unidades hospitalares, a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti, afirmou que a pasta trabalha com “vaga zero”, garantindo atendimento a todos os pacientes que chegam às emergências.
Durante a coletiva, Zilda Cavalcanti reconheceu a pressão enfrentada nas emergências, mas afirmou que a superlotação é um problema estrutural enfrentado em todo o país.
“A superlotação é uma questão histórica da saúde, não só de Pernambuco, mas do Brasil como um todo. É uma situação complexa, que envolve desde a atenção primária até os grandes hospitais de referência”, declarou.
Apesar das imagens divulgadas de corredores lotados e pacientes aguardando atendimento, Zilda afirmou que o estado opera em sistema de “vaga zero”. “Nós trabalhamos com vaga zero, o que significa que nenhum paciente deixa de ser atendido no hospital”, disse.
A gestora afirmou ainda que a secretaria reforça equipes médicas e de enfermagem nos períodos de maior demanda e que vem implantando mudanças nos processos internos das unidades hospitalares para melhorar o giro de leitos e ampliar a retaguarda de atendimento.
As declarações foram dadas após deputados estaduais do PSB, integrantes da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) denunciarem, na última terça-feira (26), o que chamaram de “crise na rede estadual de saúde”.
Os parlamentares apresentaram documentos oficiais da própria secretaria e imagens registradas durante visitas a hospitais como o Hospital da Restauração, Agamenon Magalhães, Otávio de Freitas e Getúlio Vargas. Entre as denúncias, estavam a redução de leitos, sucateamento da estrutura hospitalar, descarte de materiais ainda dentro do prazo de validade e reaproveitamento irregular de insumos.
Questionada sobre imagens exibidas pelos deputados mostrando problemas estruturais e materiais descartados ainda dentro da validade, a secretária admitiu que algumas situações pontuais podem existir, mas afirmou que as unidades passam por requalificações. “As imagens podem mostrar problemas pontuais que ainda estão no cronograma para serem resolvidos”, afirmou.
Em resposta, a Secretaria de Saúde convocou a coletiva para rebater as acusações, negar a falta de leitos e de investimentos apontada pelos deputados e apresentar dados sobre obras, abertura de vagas hospitalares, realização de cirurgias e aplicação de recursos na rede estadual.
Ela citou intervenções no Hospital da Restauração, como reformas de andares, climatização de UTIs, modernização do centro de imagem, obras em corredores e reestruturação de setores internos. Segundo a secretária, parte das dificuldades ocorre porque as obras estão sendo realizadas com os hospitais em funcionamento.
Sobre as denúncias de descarte irregular de materiais e reaproveitamento de insumos hospitalares, Zilda afirmou que não recebeu nenhuma denúncia formal e negou ter conhecimento dos casos.
“Isso precisa ser formalizado para que sejam abertas investigações e identificados os responsáveis, caso isso realmente esteja acontecendo”, declarou.
Durante a apresentação, a Secretaria de Saúde destacou o avanço nos investimentos realizados pela gestão estadual. Segundo os dados divulgados, Pernambuco alcançou em 2025 investimento per capita de R$ 1.193,78 por habitante em saúde, sendo o segundo maior do Nordeste. A pasta informou ainda que mais de R$ 11 bilhões foram aplicados no setor no ano passado, incluindo cerca de R$ 500 milhões em investimentos estruturais.
A secretaria também negou fechamento de leitos hospitalares. Um dos exemplos citados foi o encerramento do Hospital Jesus Nazareno, em Caruaru. Segundo a pasta, os 119 leitos da unidade foram transferidos para o Hospital da Mulher do Agreste, que passou a contar com 198 vagas, incluindo novos serviços de alta complexidade.
De acordo com Zilda Cavalcanti, a atual gestão abriu 670 novos leitos contratualizados em funcionamento e prevê expansão da rede com a construção de quatro maternidades regionais e novas unidades hospitalares.
A pasta também apresentou números relacionados à realização de cirurgias eletivas e exames. Segundo a secretaria, Pernambuco realizou 381 mil cirurgias eletivas em 2025, maior volume da série histórica estadual. A gestão afirmou ainda ter reduzido em cerca de 70% a fila de tomografias e 57% a fila de ressonâncias magnéticas.
Pauta eleitoral
Ao ser questionada à respeito da possibilidade da denúncia dos parlamentares pessebistas ser uma ação coordenada com o pré-candidato ao governo, João Campos (PSB), que também tem pontuado o tema, a líder da pasta reforçou que o governo Raquel Lyra fala de "política de saúde".
"A governadora diz e tem repetido muito, é, que nós não estamos fazendo campanha política, nós estamos fazendo política de saúde e, como eu disse, com muita verdade, com muita coerência, com muita transparência, nós estamos dizendo o que está sendo feito e temos a condição absoluta de provar tudo o que está sendo dito", disse.