Cláudio Castro e Daniel Vorcaro tinham "vínculo pessoal estreito", diz PF
Ministro do STF é relator das investigações que miram o Banco Master, e autorizou operação de busca e apreensão hoje (26) contra o ex-governador do Rio de Janeiro
A investigação da Polícia Federal (PF) que subsidia a 8ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta terça-feira (26/5), aponta que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, manteve uma estreita proximidade pessoal com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Diálogos apreendidos em um dos celulares do banqueiro revelam diversos contatos entre ambos.
O relatório enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça aponta que os investigadores descobriram que Castro e Vorcaro tiveram vários encontros, no Brasil e no exterior. O ex-governador foi alvo de busca e apreensão na casa dele, no Rio, por ordem do ministro.
"Segundo a Polícia Federal, o acervo até aqui reunido inclui mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, a reconstituição da cronologia de encontros e aportes, os documentos administrativos do RioPrevidência (Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro), os registros de credenciamento, as referências de auditorias do TCE/RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) e da Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social, além de elementos que indicam decisões sucessivas em desconformidade com a política de investimentos, com a regulação prudencial e com os deveres de diligência dos gestores", destaca um trecho da decisão do magistrado.
"A atuação do ex-governador não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro, com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do RioPrevidência", destaca outro trecho do texto.
Operação Compliance Zero investiga Banco Master
As diligências apontam que Castro intermediou a captação de R$ 3,6 bilhões de fundos do Rio pelo Master. "No ponto, a relação de Daniel Bueno Vorcaro e Cláudio Bomfim de Castro e Silva trazida aos autos ultrapassou o mero contato institucional, alcançando indícios concretos da ocorrência de tratativas ilícitas que viabilizaram a captação de um total de R$ 3.691.000.000,00 em investimentos no Banco Master, somando-se os montantes aplicados em fundos e Letras Financeiras", destaca um trecho do relatório policial.