"O nosso trabalho é de continuidade": 1 mês de Victor Marques na Prefeitura do Recife
O novo prefeito do Recife completa seu primeiro mês à frente do executivo municipal e fala do "trabalho pesado" como seu desejo de legado político
O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), completa oficialmente, no próximo dia 6 de maio, seu primeiro mês à frente do executivo municipal. Logo no dia seguinte à posse, em 7 de abril, teve de lidar com um cenário de crise causado pelas fortes chuvas que atingiram a cidade. Marques assumiu o cargo após a renúncia de João Campos (PSB), em 2 de abril. O então prefeito deixou a função para disputar o Governo do Estado, logo após a entrega do Hospital da Criança do Recife, localizado no bairro de Areias.
Foi por meio de um vídeo no Centro de Operações do Recife (COP), acompanhando em tempo real as ocorrências das chuvas na capital pernambucana e coordenando ações emergenciais, que o atual prefeito passou seus primeiros momentos no cargo.
Apesar do começo desafiador, e de muitos ainda não saberem “quem Victor Marques é”, o prefeito exaltou a disposição da gestão e o desejo de “ser ele mesmo” nesse processo. “Nós temos desafios e isso faz com que a gente precise colocar 100% da nossa energia para cuidar da cidade”, disse em entrevista ao podcast político Dose Dupla.
“Da minha parte vai ser sempre com técnica e engenharia na prioridade, na linha de frente das decisões. Então, tudo que a gente está fazendo é baseado em ciência, em engenharia, principalmente, para que essas obras, o nosso recurso seja gasto de maneira efetiva”, acrescentou, reiterando o caráter técnico da sua gestão.
Em meio às dificuldades inerentes ao cargo, o prefeito Victor Marques não se viu desafiado apenas no campo administrativo. Embora enfatize, em suas declarações, a importância do diálogo com a oposição – com um discurso firme na posse ao defender a abertura do gabinete ao debate –, o chefe do executivo municipal também se posiciona sobre as Eleições Gerais de 2026, ao destacar a necessidade de um posicionamento claro e com “nitidez política” no cenário atual.
Nesse contexto, o prefeito faz referência ao fato de que seu aliado João Campos, desde o início da pré-campanha ao governo, já fixou sua chapa, composta por Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) ao Senado, além de Carlos Costa (Republicanos) como pré-candidato a vice, e do apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição.
Prefeitura do Recife como vitrine política
Ainda em relação aos desdobramentos da corrida pelo governo pernambucano, Victor Marques concorda com a ideia de que a gestão municipal funciona como “vitrine” política e administrativa.
“O nosso trabalho é um trabalho de continuidade”, afirma. Segundo ele, a população tende a seguir acompanhando o mesmo ritmo da gestão de João Campos: “Então as pessoas vão continuar vendo acontecer (as entregas)”.
O prefeito do Recife ressaltou que o legado que quer deixar enquanto prefeito “é o trabalho” e respondeu sobre possíveis comparações com João: “É super natural que existam comparações, mas o que eu acho que é mais importante do que a comparação é o que a gente faz enquanto gestor; essa é a prioridade. E aí cada um tem seu jeito, forma de falar, forma de se expressar”.
Do ponto de vista de trajetória, entre secretarias, vice-prefeitura e demais cargos que ocupou na administração, Victor Marques avalia que a rotina de trabalho segue com naturalidade, apesar do aumento de responsabilidades ao assumir o comando da capital.
Segundo ele, a resposta a esse desafio tem sido direta: “Eu tenho respondido isso com muito trabalho, que eu acho que é isso que as pessoas esperam”.
Ainda sobre a gestão, ele reforça a expectativa da população por uma atuação constante e resolutiva. “Alguém que vá trabalhar muito pela cidade, que nunca pare diante do problema e que o tempo inteiro esteja tentando resolver”, diz, destacando que a administração tem conseguido manter o ritmo: “A gente conseguiu continuar com o ritmo acelerado”.