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Operação contra familia Coelho: deputados da Alepe silenciam após ação da PF contra ex-senador e filhos

Parlamentares de diferentes partidos e campos políticos foram procurados para comentar os possíveis impactos do caso

Por Mariana de Sousa

Plenário da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe)

A repercussão da Operação Vassalos na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) foi marcada pelo silêncio de lideranças governistas e oposicionistas ouvidas pela reportagem do Diario de Pernambuco. Deflagrada na última quarta-feira (25) pela Polícia Federal (PF), a ação tem como alvos o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), o deputado federal Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil).

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em quatro estados, incluindo Pernambuco, e no Distrito Federal. O objeto da investigação é um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e contratos administrativos.

Na Alepe, parlamentares de diferentes partidos e campos políticos foram procurados para comentar os possíveis impactos do caso, inclusive sob a perspectiva das eleições de 2026. Lideranças partidárias foram acionadas, entre elas a deputada estadual Socorro Pimentel (UB), da base governista, e o deputado estadual Diogo Moraes (PSDB), da oposição. Nenhum dos procurados quis se pronunciar sobre o assunto ou preferiu não comentar o caso até o momento.

A família Coelho tem forte atuação política no Sertão pernambucano. Na Alepe, o deputado estadual Antônio Coelho (União Brasil), presidente da Comissão de Orçamentos e Finanças da Casa, é apontado como um dos possíveis candidatos à reeleição em 2026. Apesar de integrar a família, o parlamentar não foi citado na investigação em curso.

A Polícia Federal investiga a existência de uma organização formada por agentes públicos e empresários suspeitos de direcionar licitações custeadas com verbas de emendas parlamentares para empresas previamente escolhidas. Após a contratação, parte dos valores pagos com recursos públicos teriam sido desviados para o pagamento de vantagens indevidas e para ocultação de patrimônio.

Entre os crimes investigados estão frustração do caráter competitivo de licitação, fraude em contratos públicos, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

De acordo com a linha da investigação, recursos de emendas, incluindo as chamadas emendas de relator, que ficaram conhecidas como “orçamento secreto”, eram destinados a órgãos como o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), responsáveis por obras de infraestrutura. A suspeita é de que licitações nesses órgãos tenham sido direcionadas para beneficiar empresas específicas.

Relatórios da Controladoria-Geral da União e auditoria do Tribunal de Contas da União apontaram indícios de irregularidades em contratos analisados. Com o material apreendido, a Polícia Federal pretende aprofundar a apuração, identificar todos os envolvidos e dimensionar eventual prejuízo aos cofres públicos. A investigação segue sob supervisão do STF.