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Disputa pela vaga no Senado é mais complexa

Montagem das chapas de João e Raquel enfrentam desafios. Prefeito tem quatro nomes para duas vagas e governadora esbarra em questões partidárias

Por Mariana de Sousa

Nomes para a Casa Alta ainda não foram definidos

Se na disputa pelo governo de Pernambuco o cenário caminha para polarização, na corrida ao Senado a situação é mais complexa, especialmente para João Campos. Durante o carnaval, o prefeito apareceu ao lado de quatro nomes que se colocam como pré-candidatos ao Senado em seu campo político: Humberto Costa (PT), Marília Arraes (Solidariedade), Silvio Costa Filho (Republicanos) e Miguel Coelho (União Brasil). Em publicação nas redes sociais, João reuniu os quatro em uma montagem, evitando sinalizar preferência.

O doutor em Ciência Política pela UFPE, Gustavo Rocha, avalia que a chapa de João é vista como competitiva, o que aumenta a pressão interna. O especialista destaca o peso do presidente Lula (PT) no tabuleiro local: “Primeiro, há uma percepção de que a chapa ao lado de João é competitiva. Segundo, há o elemento do apoio de Lula, que aqui em Pernambuco é decisivo. Humberto conta com o favoritismo de Lula.”

Sobre a segunda vaga, o cenário é mais aberto. “Silvio Costa Filho tem uma vantagem por ser atualmente um ministro com muita entrega, muita articulação em Brasília e com apoio de Lula. Miguel tem o elemento de ser dos Coelho, a maior potência política do Sertão de Pernambuco. Mas tem a complexidade de estar em uma federação que está francamente dividida”, analisa o especialista.

Apesar do quadro apontado por Rocha, quem lidera as pesquisas mais recentes pela disputa de uma das duas cadeiras de Pernambuco no Senado é a ex-deputada Marília Arraes, prima de João Campos, que já disse não “arredar o pé” da disputa pela Casa Alta do Congresso Nacional.

Miguel Coelho, que tem dividido o palanque com o prefeito nos últimos meses, também já deu sua candidatura como certa e tentou uma aproximação do presidente Lula em sua vinda a Pernambuco, no desfile do bloco do Galo da Madrugada. Dos quatro potenciais nomes para a chapa de Campos, Coelho é o que menos tem aproximação com o petista, o que poderia ser uma negativa, uma vez que o PT diz rejeitar a ideia de dividir chapa com alguém que faça oposição ao presidente Lula.

O ex-prefeito de Petrolina, no entanto, preside o União Brasil no estado, que discute federação com o PP de Eduardo da Fonte, nome próximo de Raquel Lyra. Caso Eduardo se firme na chapa da governadora, Miguel pode ficar isolado no campo de João, ou optar por candidatura avulsa, apoiando o prefeito sem estar formalmente na chapa.

Rocha ainda aponta outro dilema: o risco de haver três candidatos, caso haja uma candidatura avulsa. “Por falta de histórico, é difícil comentar os riscos e as possibilidades dessa arquitetura, mas imagina-se que possa gerar dificuldades aos candidatos da chapa, uma vez que pulverizaria os votos para senado. Possivelmente, obrigaria João a abandonar uma das candidaturas no meio do caminho”, explica.

Raquel Lyra busca consolidar alianças

Do lado da governadora Raquel Lyra (PSD), o desafio é diferente. Raquel tem se articulado para consolidar alianças, como o apoio do PP, com o nome do presidente estadual do partido, Eduardo da Fonte, para o Senado. Ao mesmo tempo, conta com o senador Fernando Dueire (MDB), que busca a reeleição.

Mas a montagem da chapa passa por impasses partidários. “No que diz respeito à pessoa de Fernando Dueire, ele tem que sair do MDB, porque salvo o melhor juízo, o MDB fica com a Frente Popular. Então, como é que ele será candidato a senador na chapa de Raquel com o MDB na Frente Popular? Fica inviável. Ele vai ter que se filiar a outro partido quando abrir a janela partidária, se ele pleiteia realmente disputar o Senado”, analisa o cientista político Hely Ferreira.

Além disso, a disputa pela federação entre União Brasil e PP pode determinar o cenário eleitoral e travar acordos locais, uma vez que Miguel Coelho, do lado de João, lidera o União em Pernambuco, e Eduardo da Fonte, que já teve conversas com Raquel, lidera o Progressistas estadual. “Certamente, a disputa pela federação União Brasil/PP é acirrada. Ambos (Raquel e João) devem estar articulando tanto com as lideranças estaduais e nacionais”, observa o doutor em Ciência Política pela UFPE, Gustavo Rocha.