"Enredo de vítima", diz presidente da Unafisco sobre STF em suposto vazamento
Polícia Federal investiga vazamento de dados de ministros da Suprema Corte. Ao Correio, Kleber Cabral avalia que medidas tomadas foram desproporcionais
O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Kleber Cabral, afirmou, nesta quarta-feira (18/2), que o Supremo Tribunal Federal (STF) está usando o suposto vazamento de dados de autoridades pela Receita como cortina de fumaça para mascarar a crise interna do Judiciário. A Polícia Federal investiga se quatro servidores do órgão teriam vazado informações de ministros. Ao Correio, ele criticou a operação e afirmou que as medidas de segurança impostas pelo ministro Alexandre de Moraes foram desproporcionais.
“Teve uma desproporcionalidade muito gritante entre os fatos e as medidas cautelares gravosas que foram colocadas. Às vezes, se tem uma situação em que, no curso do processo, o réu tenta dar sinais de que vai escapar, de que vai fugir — e aí o Judiciário vai lá e bota a tornozeleira eletrônica na pessoa. Mas, nesse caso, as medidas foram tomadas antes do processo. Isso é muito fora do razoável”, disse.
A PF investiga quatro servidores da Receita Federal que teriam vazado informações dos ministros do STF e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
De acordo com a Corte, a investigação é um desdobramento do inquérito das fake news. Foram alvos da operação da PF são: Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes.
O Supremo destacou que a operação foi autorizada depois que "foram constatados diversos e múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Receita Federal e o vazamento das informações sigilosas”. O ministro Alexandre de Moraes também determinou que os suspeitos fiquem proibidos de acessar o trabalho, mesmo que de forma remota, e ordenou que eles entregassem passaporte, além do uso de tornozeleira eletrônica e a quebra de sigilo bancários e telemáticos.
Cabral acusou o Supremo de usar a situação para se colocar como “vítima” e ganhar apoio público diante da crise institucional que está atravessando.
Temos que tentar interpretar os sinais Nos parece que houve um planejamento para que essa situação viesse a ocorrer esse enredo de vítima ao STF”, declarou. “Não tem razão para esse movimento todo. Afinal, qual foi o dado que o ministro Alexandre está achando que vazou da Receita? Falaram do contrato de R$ 129 milhões, que sabidamente não saiu da Receita, porque o órgão não tem esse documento”, defendeu.
O vice-presidente da entidade, Mauro Silva, concordou com a tese de que a reação da Corte estaria sendo desproporcional diante do caso. Segundo ele, o fato está sendo explorado de maneira “midiática”.
“O acesso por bisbilhotagem, de maneira imotivada, pode resultar em uma pena de advertência. É diferente caso o servidor tivesse acessado e divulgado as informações. Existe o acesso motivado e o vazamento. No meio de tudo isso, tem a questão probatória. A Receita sabe de tudo isso, quem acessou, em que tela, em que horário, tudo. Tem um relatório sobre isso. O que nos causa espanto é o efeito midiático. Tudo parece ser desproporcional”, disse ao Correio.
Confira a matéria no site do Correio Braziiense.