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Mirella Almeida detalha desafios da organização do carnaval em Olinda

Gestora comentou a decisão de postergar ornamentação da festa, motivada por questões técnica e previsão de fortes chuvas

Por Adelmo Lucena

Mirella Almeida, prefeita de Olinda, em entrevista do DP

A prefeita de Olinda, Mirella Almeida, conversou com o Diario de Pernambuco neste domingo (15) de carnaval sobre a decoração na cidade para a festa, que recebeu críticas por atrasos.

Segundo a gestora, a decisão de postergar a ornamentação foi motivada por previsões meteorológicas que indicavam fortes chuvas, o que poderia comprometer a estrutura e gerar prejuízos à organização da festa. A avaliação técnica apontava risco de danos caso a decoração fosse instalada antecipadamente, segundo Mirella.

“Geralmente quem não está dentro da organização acha que os prazos estão muito estourados, e na verdade não estão. A gente tinha uma avaliação meteorológica avisando que tínhamos fortes chuvas a caminho, e de fato aconteceu”, afirmou.

DECORAÇÃO ARTESANAL

Mirella Almeida destacou que a ornamentação carnavalesca da cidade é composta majoritariamente por fitinhas produzidas de forma artesanal, o que exige tempo e planejamento.

“É um trabalho muito manual, inclusive feito por pessoas de uma região que fica a 8 horas daqui de Olinda. As pessoas fazem tudo manualmente.”

Segundo Mirella, a instalação antecipada poderia resultar em danos causados pelas chuvas e dificultar a reposição do material.

“Imagina a gente vir, colocar tudo isso e, por conta de uma chuva muito mais forte, acabar tendo um problema de reposição. Talvez não desse tempo. Então a gente preferiu esperar mais um pouquinho, passar esse aviso que a gente teve dos órgãos que cuidam da questão do clima, para que a gente pudesse, de fato, pôr em prática”, disse.

ENTENDA O CASO

A poucos dias do início oficial do carnaval de 2026, Olinda começou a receber a decoração tradicional que marca o período momesco. Estruturas aéreas e fitas coloridas passaram a ocupar pontos como a Praça do Carmo, a Avenida Liberdade e ruas do Sítio Histórico a partir da segunda-feira (9).

A instalação foi divulgada pela própria prefeitura nas redes sociais, em resposta ao grande volume de críticas sobre o cronograma da preparação da cidade.

Uma semana antes do início da festa, locais tradicionais do circuito carnavalesco, como a Avenida da Liberdade, a Praça do Carmo, a Rua 15 de Novembro e o entorno da sede da prefeitura, ainda não estavam decorados.

“INÚMEROS DESAFIOS”

Mirella comentou ao DP sobre os desafios que vão além da decoração, especialmente por se tratar de um evento realizado em uma área considerada patrimônio da humanidade.

Segundo a gestora, uma das principais preocupações é garantir a segurança e o bem-estar dos foliões, além de planejar os impactos da festa para a cidade após o período carnavalesco.

“São inúmeros desafios porque, sobretudo, a gente tem que pensar na segurança e no bem-estar do folião e da foliã, e também pensar que a gente faz o carnaval em um local específico, que é patrimônio da humanidade. Então, a gente também tem que pensar no pós-carnaval”, afirmou.

A prefeita destacou ainda que a gestão municipal tem buscado deixar um legado para a cidade, com foco em ações sustentáveis e parcerias institucionais. “Temos trabalhado numa pegada muito forte de carnaval sustentável, fazendo um trabalho com os catadores.”

SEGURANÇA

Na área de segurança, Mirella Almeida ressaltou o reforço do monitoramento e a atuação integrada das forças públicas.

“Vem o apoio da Polícia Militar, dos Bombeiros, da nossa própria Guarda Municipal. A gente está contando com mais de 150 câmeras de segurança em todo o perímetro do Centro Histórico”, disse.

A prefeitura também firmou parcerias com a iniciativa privada para oferecer mais estrutura ao público, incluindo pontos de hidratação e chuveirões instalados no Sítio Histórico.

CARNAVAL O ANO TODO

De acordo com a prefeita, a organização do carnaval de Olinda ocorre durante todo o ano, já que o ciclo festivo da cidade se estende por meses.

“Começa em 7 de setembro, com as prévias, e vai até o aniversário da cidade, em 12 de março. Então, a gente tem um tempo de quase sete meses de festividades. Essa organização acaba acontecendo durante o ano inteiro”, destacou.

A gestora municipal destacou que mantém diálogo contínuo com representantes do frevo, do samba e do maracatu para garantir espaço às diversas manifestações culturais.