Renildo Calheiros pede vista e adia debate sobre o acordo UE-Mercosul
Com o pedido do deputado federal pernambucano, reunião da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul só deve ser retomada no próximo dia 24
O pedido de vista feito pelo deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE) interrompeu a análise do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia pelo Congresso Nacional nesta terça-feira (10).
Com o pedido, a reunião da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) foi suspensa e deve ser retomada no dia 24 de fevereiro, para votação do relatório lido pelo presidente do colegiado, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).
No relatório, Chinaglia destacou que o acordo cria uma ampla área de livre comércio entre os blocos, com redução gradual de tarifas e preservação de setores considerados sensíveis, além de prever salvaguardas e mecanismos de solução de controvérsias.
Em entrevista ao Diario, Renildo falou sobre a abrangência do acordo e a necessidade de criação de uma agenda para o fortalecimento da indústria brasileira. De acordo com o parlamentar, se isso não ocorrer, "será um desemprego gigantesco" quando as tarifas do acordo entrarem em vigor.
“A indústria brasileira não tem hoje um grau de competitividade que se iguala à indústria alemã, à espanhola ou à inglesa, por exemplo. Nós precisamos proteger o nosso mercado e o emprego das pessoas. Precisamos de programas, de investimentos e de uma mobilização do país, do governo e do setor empresarial, senão o nosso mercado será todo fechado mais adiante”, argumentou.
Em fala no Congresso, o deputado também reiterou que na Europa o acordo ainda não está vigente. “Ele (acordo) ainda está judicializado, não sabemos sequer quando vai ser concluído. Não deveríamos retirar de nós mesmos o tempo suficiente para debatermos o assunto? Este que não deve ficar só no Congresso Nacional, mas que também seja debatido na sociedade brasileira", ponderou.
Para Renildo, é necessário que o país faça "uma agenda para não chegar em desvantagens nos prazos estabelecidos nos acordos". "No Brasil tem prevalecido o interesse do sistema financeiro e não o interesse de uma política arrojada de desenvolvimento nacional”, disse.
O deputado também falou sobre como um debate amplo pode preparar o país para o enfrentamento dos desafios do acordo: “O congresso precisa saber o que está votando, o que está fazendo. O setor empresarial precisa ser mobilizado com o fortalecimento de políticas que melhorem a nossa atividade no mundo, principalmente com a Europa, neste caso".