Afastado após denúncias de crimes sexuais, ministro do STJ diz ser "inocente"
O magistrado responde às acusações no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Supremo Tribunal Federal (STF) e STJ. Marco Buzzi enviou carta a colegas e disse que está "muito impactado" com as notícias veiculadas
Afastado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) após denúncias de crimes sexuais, o ministro Marco Buzzi, enviou uma carta a colegas da corte. A informação foi divulgada pelo site Metrópoles.
O magistrado responde às acusações no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Supremo Tribunal Federal (STF) e STJ.
Segundo reportagem do site, na segunda (9), um dia antes do afastamento ser anunciado, o ministro disse “ser inocente” e estar “muito impactado” com as notícias veiculadas.
O ministro, que apresentou atestado médico de 10 dias após a divulgação da primeira denúncia, afirmou que se encontra “internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional”. Pouco antes de ser afastado, ele havia pedido novo pedido para ficar fora das atividades do STJ por 90 dias.
“De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repúdio. Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência”, diz o ministro em trecho da carta.
Ele lamentou o desgaste que o caso pode trazer ao STJ e afirma que está “submetido a dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar”.
Confira a íntegra da carta de Marco Buzzi
Caros colegas,
Muito impactado com as notícias veiculadas e também por me encontrar internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional, até o momento estive calado.
De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio.
Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência.
Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência.
Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado.
Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura.
Esse histórico não é invocado como prova de inocência, mas como elemento relevante de coerência biográfica, o que clama por cautela redobrada na apreciação das graves acusações.
Sem ainda compreender as razões das imputações feitas, lamento todo esse grande sofrimento e também desgaste da nossa Corte, revelando que estou submetido a dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar.
De consciência tranquila, mas alma muitíssimo agitada, ante a prematura divulgação de informações, agradeço aqueles que me franquearam o benefício da dúvida. Confio que, por meio de apuração técnica e imparcial, os fatos serão plenamente esclarecidos.