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Partido Liberal assume liderança numérica no Senado

Congresso volta do recesso com reorganização das forças partidárias em ano eleitoral estratégico, pois dois terços das vagas no Senado estarão em disputa

Por Mariana de Sousa

Bancada do PL no Senado tem 15 senadores, enquanto o PSD está com 14, seguido do MDB com 10

Com o fim do recesso legislativo e a reabertura dos trabalhos em Brasília, o Congresso Nacional entra em 2026 já sob o peso da disputa eleitoral de outubro. O ano começa com um novo desenho das forças partidárias, especialmente no Senado, onde o Partido Liberal (PL) assume, pela primeira vez desde 2023, a liderança numérica da Casa.

O movimento acontece às vésperas de uma eleição considerada estratégica tanto pela direita quanto pela esquerda, já que dois terços das cadeiras do Senado estarão em disputa e o resultado pode redefinir a governabilidade do próximo presidente.

Hoje, o Senado tem 81 parlamentares. O PL inicia o ano eleitoral como maior bancada, com 15 senadores, superando o PSD, que aparece em seguida com 14. MDB (10), PT (9) e PP (7) completam o grupo das cinco maiores bancadas.

Na Câmara dos Deputados, composta por 513 cadeiras, o PL também lidera, com 87 parlamentares. Na sequência, vêm União Brasil (59), PP (50), PSD (47), Republicanos (44) e MDB (42).

Para o cientista político Arthur Leandro, professor da UFPE, a mudança no Senado é mais do que simbólica e pode alterar diretamente o equilíbrio institucional do Congresso. “Essa mudança é relevante; o PL ultrapassou o PSD, tornando-se a maior bancada da Casa. Isso reforça o poder de veto da oposição sobre temas sensíveis e transforma o Senado em espaço de contenção, especialmente em relação à pauta do Executivo”, avalia.

Segundo Leandro, a atual conjuntura amplia o protagonismo do partido em áreas estratégicas. “Fazendo com que, na prática, o PL passe a comandar ou influenciar comissões estratégicas, e a ter mais protagonismo em sabatinas e decisões que exigem maioria qualificada”.

O Senado, por ter mandatos mais longos e representar os estados, também tende a produzir efeitos políticos mais duradouros. Em outubro, 54 cadeiras estarão em disputa, o equivalente a dois terços da Casa Alta do Congresso.

Arthur Leandro analisa que esse volume de renovação pode trazer rearranjos, mas dentro de um ambiente altamente polarizado. “Esse é um ponto importante; vamos ter 54 cadeiras é um número muito relevante para o Senado, que normalmente funciona com estabilidade e certo conservadorismo político”.

Ele acredita que, em tese, poderia haver espaço para moderação. “Esse volume de renovação poderia abrir espaço para lideranças mais moderadas, de perfil técnico ou de composição mais ampla, mas o momento do país é outro”, afirmou.

Na avaliação do professor, a tendência é que o Senado “importe” o clima já presente na Câmara. “A tendência atual aponta para uma dinâmica mais polarizada, com os palanques estaduais muito vinculados às candidaturas presidenciais”, destacou.