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Trump deve cuidar dos 'interesses democráticos' da Venezuela, diz Lula

Lula havia classificado os ataques dos Estados Unidos na Venezuela como uma "afronta gravíssima"

Por AFP

Presidente dos EUA, Donald Trump e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, pediu na terça-feira (27) a seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, que respeite a soberania e os "interesses democráticos" da Venezuela, em declarações à imprensa durante um fórum econômico no Panamá.

Trump afirmou que está no comando da Venezuela após a operação militar americana de 3 de janeiro, que culminou com a captura de Nicolás Maduro e deixou no poder, como presidente encarregada, Delcy Rodríguez, aliada do líder socialista deposto.

Lula, que havia classificado os ataques dos Estados Unidos na Venezuela como uma "afronta gravíssima" à soberania do país, falou com a imprensa ao chegar ao Panamá para participar, nesta quarta-feira (28), do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe 2026, organizado pela Corporação Andina de Fomento (CAF).

"Eu, proximamente, vou falar com a presidenta Delcy. Eu espero que ela consiga dar conta do recado", declarou Lula, segundo uma nota da presidência brasileira.

Após a derrubada de Maduro, Trump anunciou que assumiria o controle das vendas do petróleo venezuelano, alvo de sanções assinadas por ele em 2019.

Delcy Rodríguez deve governar, em teoria, por no máximo seis meses para convocar eleições, mas o próprio filho de Maduro descarta o cenário no momento com o argumento de que seu pai foi "sequestrado" e não se aplica a norma constitucional para a vacância de presidente.

"É importante que o presidente Trump permita que a Venezuela possa cuidar da sua soberania, cuidar dos interesses democráticos da Venezuela e vamos ver o que vai acontecer", disse Lula.

"Está tudo muito recente e eu acho que nós temos que ter um pouco de paciência porque quem vai encontrar uma solução para o povo da Venezuela é o próprio povo venezuelano", acrescentou o presidente brasileiro.

Lula disse que se reunirá com Trump em março, em Washington.

Brasil e Estados Unidos se aproximaram nos últimos meses, o que resultou na retirada de parte significativa das tarifas aplicadas por Washington contra produtos brasileiros.

"Eu estou convencido que a gente vai voltar à normalidade logo", afirmou.

O Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe no Panamá, chamado de Davos latino-americano, reúne líderes políticos e empresariais para debater os desafios econômicos e as oportunidades da região.

Além de Lula, participam os presidentes do Equador, do Panamá, da Colômbia e o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.