Sinpol-PE diz não poder permitir que polícia seja "instrumento político"
Declaração foi sobre denúncia de "espionagem" em investigação do secretário da prefeitura do Recife, Gustavo Monteiro. Presidente do sindicato afirma que policial responsável por monitoramento teme sofrer represálias
Depois da repercussão da denúncia de que a Polícia Civil de Pernambuco estaria espionando o secretário Gustavo Queiroz Monteiro, chefe de articulação política e social da prefeitura do Recife, o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Áureo Cisneiros, disse que “não pode permitir que uma instituição com mais de 200 anos seja usada como instrumento político ou de perseguição a adversários”. A declaração foi feita momentos antes da manifestação realizada nesta terça-feira (27) na área central do Recife.
De acordo com Áureo, o policial que teria ficado responsável pelo monitoramento do secretário procurou o sindicato com medo de represálias após a exposição do caso. “Ele afirmou que cumpriu uma ordem porque, se não cumprisse, seria perseguido. Então, não foi apenas o policial que praticou um ato ilegal. Quem está na ilegalidade é quem deu a ordem, e essa pessoa precisa ser punida. Quem foi que deu a ordem para monitorar um político adversário? De quem partiu essa determinação?”, questiona o presidente do Sinpol.
Aurélio ainda pontuou que os policiais são penalizados caso se recusem a cumprir este tipo de ordem. “Se ele se recusar, é punido e até transferido. Colocam o servidor para trabalhar longe, mandam para Exu, enquanto ele mora no Recife, forçando deslocamentos como forma de perseguição”.
Ministério Público solicita informações
Em nota enviada à imprensa, ontem, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) afirmou que solicitou informações sobre o caso ao governo do estado. “O MPPE esclarece que tomando conhecimento de notícia veiculada pelos meios de comunicação, de ofício, solicitou informações à Secretaria de Defesa Social do Estado de Pernambuco”, disse no texto.
Entenda a denúncia
A SDS-PE determinou a abertura de uma investigação após receber, de forma anônima, um documento com imagens do secretário, do irmão dele e de um veículo estacionado. A informação foi confirmada pelo titular da pasta, Alessandro Carvalho.
Em entrevista coletiva, na segunda (26), o secretário afirmou que foi feita uma apuração preliminar, já arquivada. Carvalho disse ainda que era “falsa” a narrativa de “espionagem”, alegada pela oposição.
Segundo a denúncia, Gustavo Monteiro é descrito como “braço direito do prefeito”, amigo de faculdade e apontado como responsável pela arrecadação e distribuição de recursos financeiros. O documento afirma que ele coordenaria um suposto esquema de cobrança de propina, delegando a execução das ações aos irmãos.
Eduardo Monteiro, por sua vez, é citado como alguém ligado ao gabinete do prefeito e descrito como “conhecido e temido por fornecedores”. Conforme o texto, ele atuaria na cobrança de propina em diversas secretarias, além de supostamente interferir em processos licitatórios para favorecer empresas.
A denúncia relata ainda que Eduardo Monteiro receberia pagamentos em dinheiro em estacionamentos de shoppings, com valores correspondentes a percentuais entre 4% e 5% do faturamento mensal de fornecedores da prefeitura.
De acordo com o documento, a ausência de pagamento em determinado mês resultaria no bloqueio dos repasses no período seguinte. O texto menciona também cobranças que variariam entre 30% e 50% sobre valores a receber ou pendências relacionadas a reequilíbrios contratuais.