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"Bateu desespero porque perderam a narrativa", diz Daniel Coelho sobre "ataques" da oposição

Em visita ao Diario, o pré-candidato à Câmara Federal defendeu a reeleição da governadora e falou da montagem da chapa marjoritária

Por Mariana de Sousa

Pré-candidato a deputado federal e secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, Daniel Coelho (PSD), em visita ao Diario nesta terça (27)

Pré-candidato a deputado federal, o secretário de Meio Ambiente do Governo do Estado, Daniel Coelho (PSD) afirmou em visita ao Diario na terça (27), que a oposição partiu para ataques e denúncias por “desespero”, e que a eleição em Pernambuco já estaria polarizada entre Raquel Lyra e João Campos.

Coelho confirmou sua candidatura à Câmara Federal, e ainda defendeu a reeleição da governadora, falando da montagem da chapa majoritária e de uma bancada forte do PSD em 2026, com até 12 deputados estaduais e quatro federais.

DIARIO DE PERNAMBUCO – Sendo integrante do governo Raquel Lyra, como as últimas denúncias e repercussões têm sido vistas pela gestão, a acusação de “espionagem”, a denúncia contra a Logo Caruaruense? O senhor acredita que isso vem da própria oposição?

DANIEL COELHO - Sem nenhuma dúvida é um movimento direto da oposição. É ataque porque bateu desespero. João estava caindo, Raquel subindo. Percebeu-se que no viés que a coisa estava indo, com Raquel caminhando para uma eleição de primeiro turno. Não tem instituto que não diga isso. Bateu um desespero porque perderam a narrativa. Vieram para o ataque.

É natural que quando a coisa se acirra dessa maneira, denúncias e fatos sejam criados. Mas os dois ataques que fizeram tiveram repercussão muito limitada. Não tem nada de concreto. Temos segurança no governo que Raquel faz. A governadora está sendo acusada de quê? De ter investigado corrupção com a Polícia Civil dela? Isso não é problema. Isso veio em decorrência do desgaste do próprio prefeito, que não estava conseguindo mais impor sua narrativa. A população percebe isso.

DIARIO – O senhor acha que essas denúncias podem, de fato, prejudicar a reeleição da governadora ou virar um desgaste permanente para o governo?

DANIEL - Eu acho que a população tem discernimento. A governadora está sendo acusada de quê? De ter investigado corrupção com a Polícia Civil dela? Não tem problema, bota o assunto. É um assunto para as pessoas analisarem. Isso veio em decorrência de alguns desgastes do próprio prefeito, que não estava conseguindo mais impor sua narrativa. Criaram factóides. Mas isso não altera nada de concreto. Quem passar do ponto termina sendo punido pelo eleitor. A população percebe quando é ataque político.

DIARIO – O senhor acredita que existe misoginia nos ataques contra Raquel Lyra? Perseguição política?

DANIEL - Eu acho que tem um pouco disso, o fato de ser mulher é um dos elementos. Mas Raquel rompeu com práticas antigas. Ela prometeu um governo mais técnico, prometeu não entregar o estado na mão de negociatas partidárias e cumpriu. Todo processo de mudança e ruptura tem reação. O sistema reagiu.

Eu acho que a coisa saiu do campo normal da oposição. Tem interesse menor dentro desse processo. Quando você vai para um nível de perseguição pessoal, quando você não quer aprovar empréstimo, quando passa meses para aprovar um administrador para Fernando de Noronha. Eu fui líder da oposição e nunca fiz isso. Nunca obstruí empréstimo, nunca deixei de votar em posições-chave. Aqui a coisa foi para o campo pessoal.

DIARIO – Já se pode dizer que a campanha de Raquel já começou em Pernambuco? Como está a organização para a eleição e a montagem da chapa?

DANIEL - A chapa majoritária é a chapa da reeleição, com o pleito de Raquel. Não faz muito sentido qualquer mudança nesse sentido. O que está tendo agora é um esforço grande para formar a chapa de deputado estadual e federal. Em relação ao Senado, a gente tem um candidato que se coloca, que é Eduardo da Fonte, que lidera a maior federação partidária do Brasil (União Progressista), e naturalmente ele pleiteia uma vaga. Eu diria que há um caminho natural sendo trilhado pela federação PP–União Brasil para ocupar duas vagas, mas a outra vaga ainda está em aberto. Vai depender de vários fatores, inclusive nacionais. Dificilmente você fecha essas chapas agora, isso tende a chegar mais perto das convenções.

DIARIO – Como a campanha de reeleição da governadora será trabalhada? O que Raquel quer dizer aos eleitores neste período?

DANIEL - Do nosso lado, vai ser uma campanha de comparação. Comparar como estava Pernambuco quando o PSB entregou e como está agora. Estradas, segurança pública, saúde, educação. Hoje todas as escolas têm ar-condicionado, o vale-tênis trouxe dignidade ao estudante. Na segurança, concurso, viatura, helicóptero, melhora nos índices. A população vai observar os fatos. Ninguém quer a volta daquele modelo. Raquel tirou Pernambuco do buraco.

DIARIO – Raquel Lyra tem base suficiente hoje para tentar a reeleição?

DANIEL - Hoje a governadora já tem cerca de 30 parlamentares firmes na base. A oposição não vence mais votação na Alepe. A base ganha. A gente espera que esse número se amplie até a eleição. Ela hoje vai para a eleição com a grande maioria dos prefeitos, tanto em número quanto em densidade populacional. Caruaru, Jaboatão, Olinda, Paulista, Camaragibe. No interior também uma presença imensa. Isso repercute embaixo, porque embaixo de cada deputado tem prefeito, vereador e lideranças. 

DIARIO - Nesta eleição o senhor disputará uma vaga no Congresso Nacional. Como está a construção desta campanha para o eleitorado?

DANIEL - Eu sou candidato a deputado federal. Recebi recentemente o apoio da prefeita Mirella, de Olinda, um apoio importante. Sempre estive entre os mais votados da cidade. Isso reforça nossa candidatura na Região Metropolitana. A gente tem dobradinhas importantes com candidatos a deputado estadual, como Davi Muniz, Anderson Florêncio, André Medeiros, a primeira-dama de Jaboatão. É uma construção feita diariamente. Vou me dedicar integralmente à campanha a partir de abril, que é o prazo legal para sair do Executivo.

DIARIO – Com a antecipação do debate eleitoral, haveria espaço para terceira via, ou a eleição de 2026 em Pernambuco será mesmo Raquel contra João?

DANIEL - Aqui em Pernambuco, a eleição se antecipou por uma polarização natural. Existe um candidato muito consolidado no campo da oposição, então não vejo espaço para outro. A força eleitoral tende a se concentrar nos dois. Vão ter outros candidatos com seus discursos, mas dificilmente terão força eleitoral. A eleição polarizou muito antes e por isso houve a antecipação do debate.

DIARIO – Qual é a meta do PSD para as eleições de 2026?

DANIEL - A gente espera eleger de 10 a 12 deputados estaduais e de três a quatro deputados federais. O quadro vai ficar nítido na janela partidária, quando a bancada do PSD deve receber reforço de alguns deputados. Temos candidatos muito competitivos: ex-prefeitos, a esposa do prefeito de Jaboatão, Lupércio em Olinda, Fabinho na região do Agreste, o vereador Davi Muniz em Recife. São nomes com condição real de disputa e vitória.