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"Se o que aconteceu aqui tivesse sido no Japão, eles teriam se suicidado", diz Zema sobre ministros do STF no caso Master

Em entrevista do Diario, atual governador de Minas Gerais fez duras críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e alertou que há bomba fiscal pondo o país em risco

Por Mariana de Sousa

Governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), em visita ao Diario nesta segunda (26)

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), confirmou durante visita ao Diario, nesta segunda (26), que será candidato à Presidência da República nas eleições de outubro. E que um de seus primeiros atos, caso seja eleito, será conceder indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Zema defende que haja mais candidaturas do campo da direita para juntar forças para o segundo turno. Ele também fez duras críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e alertou que há bomba fiscal pondo o país em risco. Zema também fala sobre o peso de Pernambuco no seu projeto nacional, avalia o legado de Lula e do PT, e detalha suas principais propostas se eleito.

DIARIO DE PERNAMBUCO: O senhor confirma que será candidato à Presidência da República em 2026?ROMEU ZEMA: Definido, presidente. Eu tenho um histórico de montar times no setor privado durante 30 anos. Eu conduzi uma empresa, treinei, escolhi os diretores da empresa, multiplicamos o tamanho da empresa por mais de 100 vezes. No Estado de Minas a mesma coisa. Então, eu me sinto muito confortável em estar conduzindo e montar um time que trabalhe com sincronia, com sinergia. Então eu acho que nós temos de criar no país uma visão de quem quer fazer a diferença.DP: Jair Bolsonaro foi condenado por crimes graves e tentativa de golpe ao Estado. Uma vez presidente, o senhor anistiaria Jair Bolsonaro? Ele receberia indulto?ZEMA:Receberia. Um dos decretos no primeiro dia seria anistia. Nós já tivemos anistia no Brasil para quem foi terrorista no passado, que assaltou banco, que sequestrou embaixadores, que assassinou pessoas. Agora nós não vamos anistiar quem sujou monumento de batom, quem não disparou um tiro.
Uma coisa é algo ficar no campo da ideia. Eu posso escrever aqui: “Eu odeio fulano de tal”. Eu tenho vontade de matar fulano. Mas entre você pensar e executar tem uma distância gigantesca. Nós estamos falando de 1 grama contra 10 toneladas.
Eu, particularmente, considero essas condenações, além de inadequadas, quase que como uma perseguição política. Esse governo parece que tem muito medo. Eu, se fosse presidente, até faria questão que os meus opositores estivessem soltos, para mostrar que eu não tenho medo deles e que sou capaz de fazer entregas que eles não têm argumento contra. Eu acho que nós temos que olhar para frente. Parece que a gente fica só naquela picuinha e a coisa não anda.

DP: O senhor é de direita, se dá bem com vários nomes desse campo. Qual é a direita com a qual o senhor vai para a campanha de 2026? Bolsonaro, Flávio, Ratinho Júnior, Eduardo Leite, Tarcísio? O senhor acredita em uma fragmentação da direita ou em fortalecimento?
ZEMA: Olha, eu me dou bem com todos eles. O mais provável é o seguinte: teremos dois ou três candidatos da direita. Fragmentação,não, é fortalecimento. Quanto mais candidatos você lança numa eleição, você vai ter mais ou menos votos? Mais votos. Pergunte a qualquer presidente de partido se ele lançar 10 candidatos a deputado estadual ou 15. Onde vai ter mais votos?
Em 2018 a esquerda foi para o segundo turno. Aquela eleição foi diferente, era um momento de antipolítica, petrolão, mensalão, impeachment, mala de dinheiro, lava-jato. O brasileiro falou: “Quem aqui é mais distante da política? É nesse que eu vou votar”. Hoje nós vamos ter uma eleição diferente. Nós temos hoje uma bomba relógio armada, que é a bomba fiscal. Essa nós sabemos que existe e que vai explodir.
Eu vejo que esses candidatos, nós, que somos governadores bem avaliados, temos condição em cada um em nossos estados, ter mais votos do que qualquer outro. Isso significa mais votos para a direita. E no segundo turno, boa parte desses votos vamos conseguir transferir para aquele candidato que passar.

DP: O senhor é de direita, mas de que direita exatamente? É a direita do Bolsonaro, a direita do Eduardo Leite, a direita do Tarcísio? O que diferencia a sua posição nesse campo?
ZEMA: Eu gosto acima de tudo daquilo que funciona, que melhore a operação do Estado e consequentemente a vida das pessoas. Não sou contra benefícios sociais, sou totalmente favorável. Em um país pobre como o Brasil, nós precisamos ter essa ajuda social. Só que eu sou favorável a que haja uma porta de saída.
Nós estamos criando aqui um país com uma cultura de dependentes. O Brasil em 1980 representava 4% da economia mundial. Hoje representa menos de 2,3%. Nós estamos perdendo relevância. Estamos criando uma visão do governo “paizão” que quer que todo mundo fique dependente até para poder barganhar isso eleitoralmente.
Eu não sou radical. Se alguém pensa diferente de mim, eu não tenho de atacar. Eu tenho que argumentar. Eu não me considero dono da verdade. Já mudei de opinião. Se você me explicar que a sua proposta é melhor, eu vou ser o primeiro a aderir.

DP: Como o senhor avalia a atuação do Supremo Tribunal Federal hoje. E, especificamente, em relação ao Caso do Banco Master? Acha que Toffoli e Alexandre de Moraes têm que sair pra não contaminar mais, ou já está tarde pra isso?
ZEMA: A situaçãoé a pior possível. Eu no lugar deles (Moraes e Toffoli), eu que sou uma pessoa que tenho brio, acho que tenho honra, vergonha na cara, primeiro, eu não teria feito isso. E segundo, se tivesse, eu teria saído. Eu teria vergonha. Ali não tem honra, nem vergonha na cara. Se o que aconteceu aqui no Supremo tivesse acontecido no Japão, eles teriam se suicidado. Se tivesse acontecido na Europa, eles teriam renunciado.
O Brasil se transformou em país dos privilegiados que estão acima da lei. Agora o que nós estamos vendo é um Estado que não quer ser investigado, que na hora que é investigado, fica evitando que a investigação aprofunde para estar protegendo alguém. Agora o que nós estamos vendo é um Estado que não quer ser fiscalizado. Nós precisamos de uma chacoalhada.

DP: Qual é o papel de Pernambuco no seu projeto nacional e como o senhor vê nomes como Eduardo Moura para disputar o governo? Se Moura não sair para a disputa, vocês apoiariam a governadora Raquel Lyra?
ZEMA: Eu já falo que o atual prefeito do Recife é que nós não apoiamos. Pelo que eu acompanho, ele é uma política que é aquela que nós não queremos. Tentou manipular recentemente para distribuir algum favor para alguém onde ele tem algum interesse.
Fico muito feliz do Recife, Pernambuco, ser um dos estados onde o Novo mais avançou. Talvez seja o que Minas é para o Novo no Brasil, Pernambuco é para o Novo no Nordeste. Aqui vejo que nós temos condição de eleger dois deputados estaduais e dois federais. O Eduardo tem essa postura de inconformismo, de indignação, assim como o vereador Felipe Alecrim e é isso que nós estamos precisando na política no Brasil. Ele tem feito um trabalho muito bom. Essa definição vai ser tomada em abril, maio, mas eu já falo que o possível candidato, o prefeito do Recife, é que nós não apoiamos.

DP: O Nordeste é historicamente um reduto do PT, e Lula pontua perto de 70% em Pernambuco. É possível virar esse jogo?
ZEMA: Ele é pernambucano, da mesma forma que eu sou mineiro. Mas o brasileiro está ficando cansado. Muitos países saíram de renda média para renda alta em 25, 30 anos. O PT teve esse tempo e não entregou isso ao brasileiro. Tempo ele teve, só não teve coragem de fazer as reformas. O mundo evoluiu muito mais e o Brasil ficou para trás. Nós estamos caminhando para um precipício fiscal.
Da próxima vez que eu vier aqui em Pernambuco, quero ir até a divisa com o Ceará, para conhecer aqui o interior do estado e acho que na hora que eu conversar com as pessoas, tiver oportunidade de mostrar essas propostas, que na minha opinião não são aquelas que os políticos convencionais mais querem, eles vão ver que tem algo diferente no Brasil.

DP: Mesmo sendo pré-candidato, quais seriam os principais motes do seu governo e como garantir governabilidade com um Congresso fragmentado?
ZEMA: Não existe bala de prata, mas o grande problema do Brasil se chama questão fiscal. Nós temos uma dívida pública de aproximadamente R$ 8 trilhõess. Só de juros, o governo paga R$ 1,2 trilhão por ano. Se o mercado acreditar que esse governo é sério, essa taxa cai pela metade. Só nisso você economiza centenas de bilhões.
São dois decretos no primeiro dia: reduzir gastos e anistia. Reduzir gastos para equilibrar as contas e cortar privilégios. Seriedade, bons exemplos é algo que o Brasil carece muito. Não é fácil, mas dá para fazer. Eu estou aqui para fazer diferente.