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Zema confirma candidatura à presidência e diz que anistiaria Bolsonaro: "primeiro ato de governo"

De acordo com o pré-candidato ao Executivo, em visita ao Diario nesta segunda (26), sua candidatura será somada a de mais dois nomes, buscando fortalecer a direita no ãmbito nacional

Por Mariana de Sousa

Governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), em visita ao Diario nesta segunda (26)

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), confirmou que será candidato à presidência do Brasil, nas eleições de outubro, em visita ao Diario, nesta segunda-feira (26). Zema confirmou que se eleito presidente, um de seus primeiros decretos como chefe do Executivo seria a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e preso por tramar um golpe de estado.

"Nós já tivemos anistia no Brasil para quem foi terrorista no passado, que assaltou o banco, que sequestrou embaixadores, que assassinou pessoas. Agora, nós não vamos anistiar quem sujou o monumento de batom, quem não disparou um tiro que ficou uma coisa é algo ficar no campo da ideia. Eu posso escrever aqui: "Eu odeio fulano de tal". Eu tenho vontade de matar fulano de tal. Mas entre você pensar e executar tem uma distância gigantesca. Nós estamos falando de 1 grama contra 10 toneladas. Então, eu, particularmente, considero essas condenações além de inadequadas quase que como uma perseguição política", afirmou Zema.

De acordo com Zema, sua candidatura será somada a de mais dois candidatos, com Flávio Bolsonaro (PL) e Ratinho Júnior (PSD), e fortalecerá a direita em 2026, trazendo mais possibilidades de uma vitória da ala conservadora no segundo turno. 

"O que vai acontecer esse ano o mais provável é o seguinte: teremos dois ou três candidatos da direita. Quanto mais candidatos você lança numa eleição, você vai ter mais ou menos votos? Mais votos. Pergunte a qualquer presidente de partido se ele lançar 10 candidatos a deputado estadual ou lançar 15. Aonde ele vai ter mais votos, com 10 ou com 15?", disse.

Ao ser indagado da possibilidade do enfraquecimento da direita com três candidatos, como acontecido com a esquerda em 2018, Zema ressaltou que os momentos vividos no Brasil são distintos.

"Em 2018 a esquerda foi para o segundo turno. Foi a primeira eleição que eu disputei E foi uma eleição diferente. Aquela eleição, acho que eu e outros candidatos que disputaram naquela ocasião, fomos eleitos muito em virtude daquele momento da antipolítica. Nós estávamos próximo do petrolão, mensalão, impeachment, mala de dinheiro, lava jato, outros escândalos. Então, o brasileiro naquele momento falou: quem aqui é mais distante da política? É nesse que eu vou votar. E a esquerda o PT estava totalmente contaminado naquele momento. Então qualquer um que fosse ali iria enfrentar. Hoje nós vamos ter uma eleição que tem um cenário diferente", disse.

O governador também avaliou que  o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (PSD), que até então era cotado como um dos principais nomes da direita para concorrer à presidência, deverá se manter na disputa estadual.  

"O Tarcísio já manifestou que é candidato à reeleição. E o faz todo sentido ele ser candidato à reeleição, porque ele é um governador muito bem avaliado, tem a reeleição garantida. E se ele for candidato a presidente, ele (entre os demais governadores que serão candidatos à presidência) é o único que pode pleitear a reeleição, porque está em primeiro mandato. Ele vai abrir uma oportunidade muito grande para a oposição em São Paulo ganhar a eleição", afirmou.

Para Zema, a direita tem um leque de opções de candidaturas, ao contrário da esquerda, que tem "somente" o presidente Lula (PT) para disputar a presidência. Diante do atual cenário, o governador Tarcísio, segundo Zema, poderia até optar pela candidatura presidencial em 2030. 

"O Tarcísio, até por ser uma pessoa nova, também tem condição de tá disputando e em 2030. Então, ele tem a condição de governar São Paulo que é praticamente metade ou um terço da economia do Brasil mais 4 anos. Continuar esse trabalho lá. Gosto muito dele, admiro o trabalho dele. Então, eu falo que o problema da direita é o contrário da esquerda. Na direita nós temos excesso de opções. Eu acho até que mostra competência", afirmou.

Durante visita ao Diario, o pré-candidato também disse não ser radical quanto a sua forma de governar, se distanciando da ala bolsonarista. Para Zema, seria o momento do Brasil ser governado por uma "direita lúcida".

"Quem me conhece sabe que eu não sou radical. Eu vejo que nós somos diferentes. Se alguém aqui pensa diferente de mim, não tenho de atacar, tenho que argumentar e tentar mostrar meu ponto de vista. Eu não gosto de imperador e nem de dono da verdade. Nem de privilégios, que é o lado do imperador e também daquele que sabe todas as respostas", ressaltou.