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Ano eleitoral deve acirrar os embates na Assembleia Legislativa

Cenário, avaliam especialistas, transforma a Assembleia Legislativa em um espaço mais estratégico, mas com aumento do conflito público e negociações difíceis

Por Mariana de Sousa

Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe)

O ano de 2026 tende a mudar de forma significativa a dinâmica interna da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Além de ser um período marcado pela disputa pelo Governo do Estado, será também um ano em que deputados e deputadas estarão diretamente envolvidos em campanhas de reeleição ou na articulação de projetos políticos maiores. Na avaliação de cientistas políticos, esse cenário transforma o Legislativo em um espaço ainda mais estratégico, com aumento do conflito público, maior cálculo eleitoral e negociações mais difíceis para o Executivo estadual.

Na leitura dos especialistas, o desgaste político do governo Raquel Lyra (PSD) antecede o período eleitoral e já produziu efeitos concretos na Alepe. O cientista político Bhreno Vieira avalia que, apesar de a governadora ter iniciado o mandato com uma Assembleia ideologicamente mais próxima, isso não se traduziu em estabilidade política. “Essa proximidade não foi possível de ser traduzida em votos, tendo em vista os conflitos entre os dois poderes, marcado pelas derrotas em votação, vetos, disputas orçamentárias e aberturas de CPIs”, pontua.

Neste mês de janeiro, por exemplo, já houve tensionamento. Durante a convocação extraordinária para votação de quatro projetos do Poder Executivo em regime de urgência, foram escolhidos a maioria de relatores da oposição, tanto na Comissão de Constituição e Justiça (CCLJ), quanto na de Finanças.

Na CCLJ, os projetos 3692, que dispõe sobre contratação de empréstimos; 3693, que autoriza contratação de crédito com o Banco do Brasil e a Caixa; e 3695, que dispõe sobre prazo para repasse de recurso do Tribunal de Justiça para o Executivo, ficaram para serem relatados, respectivamente, por Alberto Feitosa (PL), Sileno Guedes (PSB) e Waldemar Borges (MDB).

a Comissão de Finanças, as relatorias dos projetos 3692, 3693 e 3695 foram sorteadas para os deputados Gustavo Gouveia (Solidariedade), único entre os relatores que integra a base governista, Antônio Coelho (UB) e Cayo Albino (PSB). No projeto 3694, que modifica a LOA 2026, Antônio Coelho assumiu a relatoria geral, com base no Regimento Interno da Casa.

Para Vieira, quando os conflitos avançam para o campo público e até para a judicialização, isso revela dificuldades de articulação. “Quando a relação chega ao ponto de questionamentos públicos e até judicialização, isso indica dificuldade de coordenação política por parte da Governadora”, diz, ressaltando que o processo se torna “mais lento, mais custoso e mais exposto ao público”.

A tendência, segundo os analistas, é que a Alepe seja ao mesmo tempo mais conflitiva e mais estratégica em 2026. “Mais conflitiva porque o conflito público gera visibilidade eleitoral e mais estratégica porque os próprios deputados sabem que o excesso de confronto pode gerar custos”, avalia Bhreno Vieira. Para ele, o padrão mais comum deve ser “o conflito no discurso público e a negociação nos bastidores”.

O cientista político Alex Ribeiro também divide dessa leitura. “A Assembleia tende a se mostrar mais dura no discurso e mais calculista nos bastidores”, afirma. Segundo ele, o espaço para acordos institucionais diminui, enquanto cresce o peso do posicionamento político e da exposição pública. “Não se trata de paralisia, mas de um cenário menos confortável para o governo”, observa.

Tensões serão acentuadas
Além disso, Priscila Lapa avalia que o ano eleitoral tende ainda a acentuar tensões que já existem. “O ano eleitoral, ele é um ano de intensidade. Você tem uma conjuntura estrutural já de relação entre governo e oposição, porém, no ano eleitoral, eles são acentuados. Eles ganham tons de intensidade”, explica.

Segundo ela, há uma tentativa clara de demarcação de espaços e protagonismo para formação de alianças.
Priscila destaca ainda que o jogo de interesses eleitorais passa a ficar mais explícito. “Durante o ano eleitoral isso é potencializado, escancarado”, afirma, observando que os parlamentares intensificam a lógica de direcionar recursos e pautas para fortalecer seus redutos eleitorais.