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Brasil corre riscos com ação dos Estados Unidos na Venezuela

Jurista analisa que possibilidade de intervenção dos Estados Unidos é "real e iminente" e que país foi o primeiro atingido pelos EUA, com o tarifaço

Por Correio Braziliense

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

O membro benemérito do Instituto dos Advogados Brasileiros e ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB), José Geraldo, afirmou que o Brasil corre risco “real e iminente” de possíveis intervenções dos Estados Unidos. Na avaliação dele, o território brasileiro foi, ainda, o primeiro país a receber tentativas de imposições norte-americanas na América Latina, com o tarifaço, no ano passado.

“O risco é real e iminente. O Brasil, aliás, foi o primeiro porque a invasão aqui não foi sobre a frota, mas foi sobre o tarifaço. Foi uma maneira de estrangular economicamente o país para que ele se confinasse. É o modelo de alinhamento que está por trás do discurso prepotente. Ele (Trump) disse esses dias: 'o Hemisfério é nosso', se referindo ao sul global, ao continente sul-americano”, disse o jurista, na última quinta-feira, em entrevista ao programa CB.Poder - parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.

De acordo com o jurista, a invasão da Venezuela a mando do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi um ato “unilateral, de força prepotente”, que coloca o Direito e as organizações internacionais em cheque. Além disso, ele ressaltou que, apesar de “temerária”, uma anexação da Groenlândia, ilha autônoma administrada pela Dinamarca, em um território norte-americano é possível e representa a falta de limites de Trump.

“Não há limites para uma personalidade que não parece medir consequências até o momento em que uma dessas consequências recaia sobre ele como um bumerangue, sobre seu próprio impulso. Embora a Groenlândia não faça parte da Otan, é a fronteira europeia mais importante e que torna o mundo um lugar perigoso de se viver”, argumentou José Geraldo.

Em relação aos impactos diretos no Brasil, o ex-reitor da UnB cita as eleições de 2026 como um exemplo de interferência. Segundo o jurista, os espaços de narrativas sobre o tema já estão circulando na grande mídia e nas bolhas das redes sociais, o que deve ser citado no momento eleitoral.