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O cinema em 2023, ano do 'Barbenheimer'
Viver relembra algumas surpresas, fenômenos, sucessos e fracassos que marcaram o mundo da sétima arte ao longo do ano
Segundo ano em que a sombra da pandemia parece ter deixado de afetar diretamente as produções, 2023 foi um ano agitado no mundo do cinema devido, principalmente, à imprevisibilidade na repercussão de grandes projetos e à greve dos atores e roteiristas de Hollywood. Quem mais saiu com a imagem manchada desse cenário difícil foram os filmes de super-herói, outrora dominantes na agenda de estreias. À exceção dos sucessos Guardiões da Galáxia – vol. 3 e Homem-Aranha: Através do Aranhaverso, que trouxeram de volta personagens já muito populares e receberam boas avaliações, todos os lançamentos do gênero fracassaram em 2023, tanto com a crítica especializada quanto na bilheteria.
Produções que conquistaram resultados expressivos de arrecadação, como A Pequena Sereia, Velozes e furiosos 10 e Missão Impossível: Acerto de Contas – Parte 1, tiveram custos tão elevados que os retornos foram considerados baixos. A despedida de Harrison Ford do seu personagem mais icônico em Indiana Jones e a Relíquia do Destino combinou a resposta morna dos espectadores com um péssimo resultado no cinema, enquanto, por outro lado, Keanu Reeves tratou de representar a ação de sucesso com o elogiado John Wick 4: Baba Yaga.
Já o horror, que raramente enfrenta tempo ruim, reforçou sua popularidade com o hit M3gan, combinação de terror e sci-fi que já garantiu até continuação, e o aclamado Fale Comigo. Sequências de sagas como Pânico VI, A Morte do Demônio: A Ascensão, Sobrenatural: A Porta Vermelha, A Freira II e Jogos Mortais X também mostraram forte apelo, mas o estouro comercial do gênero foi a adaptação de videogame Five Nights At Freddy’s: Pesadelo sem Fim, a despeito das críticas negativas.
Adaptações de jogos, aliás, ganharam terreno com Super Mario Bros – O filme, recebido com entusiasmo por fãs do game que marcou gerações. Dungeons & Dragons: Honra entre Rebeldes, também inspirado num jogo clássico, não teve o mesmo êxito na bilheteria, mas ganhou o coração do público no boca a boca.
Autores consagrados conseguiram financiamentos enormes de plataformas de streaming para ambiciosos projetos, como é o caso de Martin Scorsese com o aguardado épico Assassinos da Lua das Flores, sobre o apagamento dos povos indígenas Osage nos anos 1920, do divisivo Napoleão, de Ridley Scott, e do suspense gélido O Assassino, de David Fincher.
Mas o fenômeno que marcou Hollywood foi o lançamento na mesma data de Barbie, de Greta Gerwig, e Oppenheimer, de Christopher Nolan. Rivalidade que gerou incontáveis memes, a brincadeira da sessão dupla criou dois sucessos sem precedentes: o primeiro atingiu um impacto cultural nas redes e nas conversas de todas as gerações, enquanto o segundo se tornou o maior sucesso da história das cinebiografias. Juntos, os dois blockbusters prometem fazer bonito na temporada de prêmios até chegar a noite do Oscar.
No Brasil, as biografias também tiveram destaque: Mussum, o Filmis, grande vencedor do Festival de Gramado, divertiu e emocionou um público acima do esperado, assim como Nosso Sonho, sobre a história de Claudinho e Buchecha, e Meu Nome é Gal, que homenageou a cantora um ano depois do falecimento. Documentário apaixonado de Kleber Mendonça Filho centrado nos cinemas de rua do Recife, Retratos Fantasmas foi exibido em Cannes e escolhido para representar o Brasil no Oscar (ainda que não tenha sido indicado). Em dezembro, o cinema pernambucano mostrou sua força mais uma vez com o thriller contundente Propriedade, de Daniel Bandeira, que explora questões de classe e raciais através de convenções de gênero.