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Sinal Vermelho: nova ferramenta vai ajudar a agilizar processos de feminicídios na Justiça pernambucana
Outra meta da iniciativa, que será lançada nesta quinta (2), é promover a construção de banco de dados inédito sobre esse tipo de crime
Mais uma ação para combater os feminicídios, quando as mulheres são mortas por uma questão de gênero, será lançada nesta quinta-feira (2), no Recife.
O Instituto Banco Vermelho (IBV) põe em ação o “Sinal Vermelho", uma ferramenta que dará mais visibilidade aos processos de feminicídio no sistema judiciário.
A ideia é provocar impacto e agilizar o andamento dos casos.
Outro objetivo é promover a construção de banco de dados inédito sobre feminicídios em Pernambuco.
O lançamento da ferramenta acontece na sede do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), no Centro do Recife.
O "Sinal vermelho" foi desenvolvido em parceria com a academia de desenvolvedores V3l0z, composta pelo time de alunos e professores de Engenharia de Computação da Uninassau.
Proposta
A ideia partiu da observação de os processos de feminicídios no Estado caminham de forma morosa por sua “invisibilidade”, segundo a entidade, diante de tantos processos que correm no sistema. Por isso, a diretoria do IBV iniciou diálogo com o TJPE, em março.
“A nossa inquietação pela lentidão no andamento dos casos de feminicídio reflete a angústia das famílias que até hoje choram o assassinato cruel das suas filhas, mães, irmãs, amigas... E somos procurados diariamente por esses parentes, que suplicam ajuda e justiça. Então, em conversas com o TJPE sobre possibilidades para uma melhor forma de dar visibilidade a estes processos, idealizamos o “Sinal Vermelho”, uma ferramenta simples e extremamente eficiente, que inicia aplicabilidade hoje no TJPE e que esperamos que seja usada em todos os tribunais do país”, pontua com ânimo Andrea Rodrigues, presidente do Instituto Banco Vermelho.
O presidente do TJPE, desembargador Ricardo Paes Barreto, destaca o comprometimento do judiciário estadual na luta contra a violência de gênero, bem como o esforço conjunto realizado na identificação dos processos de feminicídio e sua agilização. O magistrado também se colocou à disposição de mais essa ação para reforçar a iniciativa do Instituto Banco Vermelho. "Reafirmo meu compromisso de prestar pronta assistência judicial efetiva às vítimas de violência física e psicológica no âmbito doméstico e familiar", ressalta.
Como funciona
Desenvolvida pelo time da V3l0z, academia de desenvolvedores composta por alunos e professores de Engenharia de Computação da Uninassau-PE, a pedido do IBV, o Sinal Vermelho, que funcionará através de um site visa ser uma ponte entre as famílias das vítimas e o poder judiciário, propondo assim uma maior celeridade na resolução de casos de feminicídio. Isso se dará por meio de indicativos de sinalização em cores, tendo como referência a aplicabilidade de um semáforo de trânsito, considerando o tempo de tramitação.
“Por meio dessa ferramenta, os estudantes demonstraram compromisso em fazer a diferença na sociedade. Vivemos em um mundo onde os índices de violência são altos e esse site possui o potencial de contribuir para uma justiça mais rápida às vítimas. Além disso, mostra como a educação é um agente transformador capaz de promover mudanças positivas”, explica Sérgio Murilo Jr., diretor de Governança Social da Uninassau.
Para ter acesso e acompanhar as ações do judiciário, os familiares das vítimas de feminicídio devem preencher e enviar o formulário digital. A inscrição será acompanhada diretamente pelo TJPE, que alimentará o cadastro por status do andamento do processo até que o mesmo seja julgado.
A implementação e manutenção dos dados da plataforma serão medidos através de gráficos e acompanhamentos reais para que haja transparência em todo o processo. “Vamos iniciar com um caso que estamos acompanhando desde o mês de lançamento do IBV, em novembro de 2023. A vítima foi assinada há seis anos e o suspeito está solto, circulando livremente. A família, inclusive, sofre com a falta de notícias sobre o andamento e vive com medo. Por isso, precisamos assegurar que o “Sinal Vermelho” será, de fato, uma ponte transparente e eficiente entre a família dessa vítima e o poder judiciário.” Enfatiza Paula Limongi, Diretora Executiva do IBV.
Conheça a entidade
O Instituto Banco Vermelho (IBV) é uma entidade brasileira. Com fundação e início das suas atividades em novembro de 2023, seu propósito nasceu da inquietação de duas mulheres pernambucanas, Andrea Rodrigues e Paula Limongi, que, impactadas pela crueldade do feminicídio, transformaram o luto em luta. Tendo como sua principal missão a batalha pelo feminicídio zero, o IBV atua para engajar a sociedade civil, o setor privado e o poder público no enfrentamento da violência de gênero por meio de iniciativas de intervenção e ocupação urbana, projetos educativos, ações culturais e campanhas de mobilização, entre outras atividades.
Números
Em março deste ano, Pernambuco registrou recorde histórico de queixas de violência doméstica/familiar. De acordo com a SDS, 4.869 boletins de ocorrência foram somados. Houve aumento de 10,13% em relação ao mesmo período de 2023, quando 4.421 mulheres procuraram as delegacias para o registro das queixas.
A média de 157 ocorrências por dia chama a atenção. É a maior desde 2015, quando a SDS começou a registrar e divulgar as estatísticas mensalmente. Mas a polícia avalia o resultado como positivo, porque demonstra que mais mulheres estão encorajadas a denunciarem os agressores e quebrarem o ciclo de violência.
No acumulado do ano, entre janeiro e março, 13.717 queixas de violência doméstica foram somadas. O crescimento foi de 9,04% em relação ao mesmo período de 2023, quando 12.579 ocorrências foram contabilizadas.