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Juiz Luiz Rocha tem trajetória marcada pelo equilíbrio entre magistratura e solidariedade
São 30 anos de magistratura e projetos sociais que foram reconhecidos pela população
A solidariedade e a busca por justiça sempre estiveram presentes nos 30 anos de carreira do juiz aposentado Luiz Gomes da Rocha Neto, que desenvolve projetos sociais desde o início da vida profissional, com o objetivo de diminuir as injustiças sociais e prestar apoio aos mais pobres. A empatia pelas pessoas desprovidas de recursos financeiros vem de uma pessoa que já passou pelas mesmas dificuldades e cenários.
Natural do Recife, o magistrado passou a infância morando em uma palafita no bairro de Casa Forte, na Zona Norte, e estudou a maior parte do tempo em escolas públicas. Quando entrou na Faculdade de Direito de Olinda, logo se envolveu com a política estudantil e com projetos sociais. Depois de formado, Luiz Rocha se tornou diretor do Programa Mundial de Alimentos, a maior agência humanitária do mundo. A princípio, este programa foi concebido na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e visava a troca de alimento por hora trabalhada.
O magistrado participou de atividades como lavanderia comunitária, abertura de poços para auxiliar pessoas que sofriam com a escassez de água, salas de aula e obras de passagem molhada, que servem para resolver problemas de escoamento de águas pluviais e fluviais, principalmente durante a época das chuvas, evitando que a pavimentação seja danificada.
Neste período, Luiz Rocha se tornou juiz e foi morar no interior de Pernambuco. “Eu passei por 26 cidades como magistrado e fui vendo o sofrimento das pessoas, as dificuldades que enfrentam. E cada vez que eu via isso, eu entendia que eu tinha um compromisso, como eu acho que todo mundo que tem uma condição melhor tem. Ao longo das minhas atividades, eu sempre estive envolvido com ação humanitária”, relata o juiz aposentado.
O magistrado tem uma forte atuação com ações humanitárias em cidades do interior do estado. Em uma das ações em Vitória de Santão, na Zona da Mata Sul, o Luiz Rocha disponibilizou o próprio ônibus para arrecadar alimentos após uma forte chuva que atingiu o município, deixando centenas de pessoas sem ter o que comer ou vestir. Nesta ação, pelo menos 6 toneladas de alimentos foram arrecadadas.
O período natalino também era um dos focos do juiz aposentado, que costumava fazer levantamentos para saber quantas pessoas estavam nas ruas pedindo ajuda. Nestas ações de Natal, o magistrado doava cobertores, alimentos, remédios e brinquedos, além de organizar ceias para os moradores de rua.
“Já dispensei o Natal em casa para passar dentro de um ônibus fazendo uma atenção deste tipo de natureza. Em várias festividades tive ações concretas. Mas a coisa mais preciosa que eu tenho para estas pessoas não são as cestas básicas, o colchão nem as roupas e sim o conhecimento. Com a constituição e a consciência do direito, as pessoas começaram a perceber que elas eram detentoras de direitos”, destaca.
Ao perceber que havia carência de informação, Luiz Rocha considerou que esta era mais uma maneira de auxiliar estas pessoas levando conhecimento. Neste momento, ele começou a ser chamado por jornais para esclarecer as dúvidas do público.
O magistrado estabeleceu, em 2007, o projeto Justiça para Todos, que visa explicar de maneira clara os direitos das pessoas através e que hoje é feito em um programa de rádio do município de Camaragibe, na Região Metropolitana.
“Para mim, a ajuda humanitária é algo que traz motivação, me preenche, me completa, me dá satisfação e me alegra. Entro no meio da comunidade e as pessoas me cercam para falar sobre os direitos deles como regularização de moradia, divórcio, pensão alimentícia, medicamento, internação hospitalar. As pessoas têm uma fome de direitos que não sabem que têm”, afirma.
Ingresso na política
Com um trabalho social consolidado e visado por muitos, Luiz Rocha começou a ser alvo de partidos políticos, que o enxergam como uma pessoa capaz de disputar diversos cargos. Por um tempo, o magistrado recusou entrar neste ramo pois acredita que o trabalho social não deve ser utilizado para autopromoção.
“Tenho plena consciência de que a situação de vulnerabilidade em que as pessoas não são resolvidas com uma cesta básica, pois o problema está na base educacional, social, política e de formação da nossa sociedade. E a política, de modo geral, se vale desta fraqueza”, afirma Luiz Rocha.
No entanto, no dia 15 de janeiro, o juiz aposentado decidiu filiar-se ao Partido Progressista (PP), e assinou a ficha de filiação na sede do Partido ao lado do presidente estadual do PP, deputado federal Eduardo da Fonte.
Luiz Rocha também assumiu a presidência da legenda no município de Camaragibe, ao lado de Edivaldo Filho como secretário geral. Agora, o foco é a disputa pelo cargo de prefeito do município.
O magistrado destaca que os desafios na política são árduos e diz reconhecer os problemas do município de Camaragibe, mas garante que não olha para a política como uma maneira de se autopromover.
“Eu cumpri o meu papel na magistratura. Tenho certeza que atendi os compromissos e desafios que me foram colocados e respeitei meu cargo sem abrir mão da minha consciência profissional. Se o povo quiser, e a oportunidade surgir, eu acho que é mais um desafio e eu vou para a prefeitura, fazendo a minha entrega e me doando como eu sempre fiz. Naturalmente sem querer expor ninguém, sem me expor e sem vender minha alma a processo nenhum, pois minha dignidade custou caro”, finaliza.