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Trump afirma que irá impor mais tarifas alfandegárias à União Europeia

Presidente dos EUA reconheceu que os norte-americanos podem vir a sofrer parte do peso econômico de uma guerra comercial global, mas que irá valer à pena

Por Larissa Aguiar

Presidente dos EUA, Donald Trump
O presidente norte-americano Donald Trump voltou a avisar que irá elevar as tarifas alfandegárias a União Europeia e também ao Reino Unido. "Estão realmente se aproveitando de nós, temos um déficit de 300 bilhões de dólares. Por isso, a aplicação de tarifas definitivamente vai acontecer com a União Europeia, eu posso garantir. Eu não diria que há um cronograma, mas será em breve”, adiantou.

Trump reconheceu que os norte-americanos podem vir a sofrer parte do peso econômico de uma guerra comercial global, mas que irá valer à pena, porque vai tornar a América grande de novo. “Haverá sofrimento? Sim, talvez, e talvez não”, citou.

O líder dos EUA também almeja que o bloco europeu importe mais carros e produtos agrícolas norte-americanos.

A reação da União Europeia foi imediata e anunciou que a imposição de mais tarifas pelos EUA terá consequências nocivas para todas as partes. “Se os EUA aumentarem as taxas aduaneiras, vamos retaliar com força. A UE acredita firmemente que direitos aduaneiros baixos promovem o crescimento e a estabilidade econômica”, diz o comunicado da Comissão Europeia, apesar de ainda não ter sido tomada uma decisão oficial.

A França foi categórica e defendeu uma resposta mordaz da Europa diante das ameaças de novas tarifas aduaneiras pelo presidente norte-americano.

UE defende comércio transacional

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, também defendeu hoje que a União Europeia (UE) deve perseguir interesses próprios e se relacionar também com os países que se opõem ao Ocidente.

Kallas afirmou na cúpula anual de embaixadores da UE, em Bruxelas, que o bloco europeu deve ser transnacional e se guiar por interesses comuns com os países que não estão totalmente alinhados com o bloco. "A maioria dos países tem relutância em escolher entre autocracias que se opõem ao Ocidente e o próprio Ocidente. Foi o que aconteceu durante a Guerra Fria. Cada país é guiado pelos seus próprios interesses, e não pelo fato de ser aliado da UE, dos Estados Unidos, da China ou da Rússia", defendeu.
 
Kallas deu o exemplo da Turquia ou dos países do Golfo, que não estão completamente alinhados com a UE ou os EUA e que têm as suas próprias agendas estratégicas e abordagens transnacionais. “A questão é saber se a UE também deve ser transnacional. Quando temos interesses comuns, há espaço para a cooperação”, apontou, referindo que, em muitos aspectos, é tempo de o bloco o fazer. Além disso, ainda exemplificou com os acordos comerciais com o México ou o Mercosul como uma abordagem pragmática e lógica a seguir pela UE. "Temos de ser honestos e aceitar que não podemos esperar dos outros o mesmo que dos nossos Estados-Membros ou aliados. O contexto histórico e cultural de cada país é diferente. A UE deve formular as suas políticas com base numa abordagem adaptada em conformidade, seja na África, na América Latina e nas Caraíbas, no Sudeste Asiático ou na região do Pacífico", indicou.

Mas, a chefe da diplomacia da UE reiterou que continuará a defender os interesses do bloco e lutar para que as suas empresas façam incursões em outros países e ganhem contratos públicos, ressaltando, no entanto, que nunca serão usados com métodos questionáveis.