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Hezbollah não concorda com prorrogação da retirada de Israel do sul do Líbano

O chefe do Hezbollah também acusou Israel de ter violado o cessar-fogo 1.350 vezes

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Chefe do Hezbollah, Naim Qassem

O chefe do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou que o grupo não aceitaria nenhuma justificativa para estender o período estipulado para a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano. Qassem também acusou Israel de ter violado o cessar-fogo 1.350 vezes.

 

Já Israel disse na sexta-feira passada que a retirada do seu exército da região duraria além do período de 60 dias acertado no acordo de cessar-fogo com o grupo libanês, alegando ainda que os termos do acordo não foram totalmente aplicados pelo governo do Líbano. O exército israelense argumentou que as forças governamentais libanesas estão sendo lentas em se posicionarem no sul, justificando deste modo a necessidade de permanecer na zona. 

 

Enquanto isso, a Casa Branca anunciou ontem que o acordo de cessar-fogo entre o Líbano e Israel foi estendido até 18 de fevereiro, com a concordância das duas partes.

 

Por outro lado, as forças israelenses no sul do Líbano abriram fogo no domingo (26) contra manifestantes que exigiam o cumprimento da retirada deles para poderem regressar às suas aldeias e também protestavam pela violação da trégua, em conformidade com o acordo. O confronto resultou na morte de 22 pessoas e deixou 124 feridos, segundo as autoridades libanesas. 

 

Os manifestantes reivindicavam a volta em segurança às suas casas após as repetidas violações por parte de Israel da trégua assinada, que previa a retirada total das forças militares do Hezbollah e de Israel do sul do Líbano e o regresso das tropas libanesas à zona no prazo de 60 dias a contar da assinatura do acordo. O prazo terminou no domingo, mas foi postergado.

 

“A soberania e a integridade territorial do Líbano não são negociáveis e eu estou acompanhando esta questão para garantir os seus direitos e a sua dignidade”, declarou o presidente libanês, Joseph Aoun, ao povo do sul do Líbano no domingo.

 

O exército libanês, numa declaração separada, disse que está escoltando civis em algumas cidades da zona fronteiriça e apelou aos residentes para que sigam as instruções militares para garantir a sua segurança.

 

A coordenadora especial da ONU para o Líbano, Jeanine Hennis-Plasschaert, e o chefe da força de manutenção da paz da ONU conhecida como UNIFIL, tenente-general Aroldo Lazaro, apelaram, numa declaração conjunta, que tanto Israel como o Líbano cumpram as suas obrigações nos termos do acordo. “O fato é que os prazos previstos no acordo de novembro não foram cumpridos. Como se viu tragicamente esta manhã, as condições para o regresso seguro dos cidadãos às suas aldeias ao longo da fronteira ainda não estão criadas”, dizia a declaração.