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Hezbollah rejeita plano para desarmar o grupo

O líder do Hezbollah disse que qualquer plano para desarmar o grupo xiita libanês será totalmente rejeitado

Por Isabel Alvarez

Chefe do Hezbollah, Naim Qassem

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, reiterou que qualquer plano para desarmar o grupo xiita libanês será totalmente rejeitado. Essa é uma condição que o governo dos Estados Unidos buscou incluir nas restrições ao financiamento do Irã a grupos regionais, mas acabou permitindo deixar o futuro do movimento e o encerramento do apoio de Teerã indefinido no texto preliminar.

O grupo saudou o acordo e a manutenção de suas armas, afirmando que o desarmamento é algo inaceitável e que qualquer discussão sobre isso deve ocorrer apenas num contexto amplo de estratégia de defesa nacional libanesa, após a retirada de tropas estrangeiras do terreno.

Qassem também defendeu ainda que as negociações de paz entre o Líbano e Israel devem se focar, exclusivamente, na garantia de uma segurança mútua. Além de rejeitar as zonas-piloto acordadas nas negociações mediadas por Washington entre Beirute e Tel Aviv.


Em contrapartida, Israel indicou hoje que as suas forças continuam a operar numa zona de segurança que se estende por cerca de 10 km no sul do Líbano, embora uma cláusula do acordo provisório entre os EUA e o Irã exige a cessação imediata das operações militares no território libanês. As forças israelenses argumentam que a mobilização é devido às necessidades operacionais e que as tropas permaneceram estacionadas na sua área de ação militar designada.

E, apesar da entrada em vigor do acordo entre Washington e Teerã depois da assinatura do documento, que prevê o fim da guerra em todas as frentes da região, a Agência Nacional de Notícias Libanesa (NNA) reportou que três pessoas morreram em ataques israelenses, nas cidades de Kfar Tebnit e Zebdine, no sul do Líbano nesta quinta-feira (18). Desde o anúncio, na segunda-feira, do acordo entre Teerã e Washington, a violência diminuiu drasticamente no sul do Líbano, e o Hezbollah não reivindicou a autoria de nenhum ataque contra Israel. No entanto, são relatadas trocas de tiros isoladas e o registro de pelo menos quase uma dezena de civis libaneses mortos causados por bombardeios israelenses, enquanto Tel Aviv também garante que interceptou foguetes lançados pelo grupo xiita no sul do Líbano onde seus soldados realizavam operações.

No entanto, o acordo entre os EUA e o Irã é um memorando de entendimento de caráter provisório e atua como um cessar-fogo, que estabelece um prazo de 60 dias para que os dois países negociem um tratado de paz definitivo e abrangente. O documento, que oficializa o fim das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, aborda pontos fundamentais, mas deixou decisões mais complexas para a etapa final.

O memorando exige que o eventual acordo final seja endossado por uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas. As autoridades norte-americanas e o próprio presidente Donald Trump já declararam que, se os termos provisórios ou as negociações finais não forem cumpridos, poderão retomar os bloqueios aos portos iranianos e a volta das ações militares.

Em relação ao Líbano, Trump disse que considera o conflito entre Israel e o Hezbollah como muito menor, porém admitiu que aconselhou o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu a adotar uma abordagem mais moderada no país.

Enquanto o vice-presidente dos EUA, JD Vance, declarou que as operações militares israelenses no Líbano dificultam o avanço das próximas negociações com o Irã. “Trump fica frustrado por vezes quando parece que estão na iminência de um grande avanço no acordo e, de repente, ocorre uma grande explosão num centro populacional civil em Beirute, e muitas pessoas que não têm qualquer ligação com o Hezbollah perdem a vida. Isto é inaceitável. É por este tipo de situações que pedimos uma coordenação mais estreita, para garantir que isto não aconteça", revelou.

As declarações de Vance surgem num momento em que Israel reafirma a sua intenção de não se retirar do Líbano. O vice-presidente dos EUA reiterou o direito de Israel se defender, mas instou o país a respeitar este processo de paz. "Os israelenses, assim como todos os outros, precisam respeitar este processo de paz que é fundamentalmente bom para eles e para toda a região", enfatizou.