Trump deve divulgar memorando do acordo preliminar com o Irã antes da sexta-feira (16)
"Temos um acordo justo, um bom acordo", disse o presidente americano
Na coletiva de imprensa na cúpula do G7, que acontece na França, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou divulgar o acordo preliminar para pôr fim à guerra com o Irã antes de sexta-feira (19), quando será assinado o documento na estância de Bürgenstock, perto de Lucerna, na Suíça. Trump ainda disse que poderá até mesmo ler o documento na íntegra perante as câmaras de televisão alguns dias após a sua formalização.
"Temos um acordo justo, um bom acordo", considerou.
Já o vice-presidente norte-americano, JD Vance, revelou que o memorando de entendimento tem somente uma página e meia e que as principais questões serão resolvidas durante um período de 60 dias. O texto prevê a continuação do cessar-fogo e a abertura de uma nova fase de discussão sobre questões nucleares e de segurança regional, incluindo a reabertura completa do Estreito de Ormuz, o desbloqueio dos EUA dos portos iranianos e a suspensão de sanções econômicas.
Segundo agências de noticias internacionais, está previsto no memorando a criação de um fundo privado para um investimento de 300 bilhões de dólares no Irã. O objetivo é oferecer as duas partes envolvidas um incentivo econômico para que o acordo siga mesmo à frente, mas o mecanismo não será um programa de reconstrução ou reparações, e não incluirá dinheiro ou garantias públicas. Entre as entidades que garantiram o seu compromisso financeiro com esta proposta estão empresas dos países do Golfo Pérsico, de Ásia, da América do Sul e da África.
Por sua vez, o ministro iraniano das Relações Exteriores afirmou hoje que as negociações para concluir o acordo final devem começar na própria sexta-feira e reforçou a tônica no término da guerra no Líbano. Teerã insiste no fim dos confrontos no território e na retirada das forças israelenses.
No entanto, o conflito no Líbano ainda é um dos pontos que mais fragiliza o acordo, uma vez que Israel avisou que o seu exército permanecerá em zonas do país e que tem o direito de se defender dos ataques do Hezbollah. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, garantiu que as tropas israelenses vão permanecer no Líbano o tempo que for necessário. "Fui muito, muito firme nisto, e os nossos amigos americanos respeitam essa firmeza", indicou o premiê.
Enquanto isso, a mídia libanesa já reportou que quatro pessoas morreram hoje depois de ataques israelenses em várias áreas em torno de Nabatieh terem sido atingidas, no sul do país. Ontem a Agência Nacional de Notícias libanesa (ANN) informou que pelo menos uma pessoa morreu num bombardeio com um drone israelense no sul do Líbano além de um jornalista ter ficado ferido por um projétil na mesma região.
Trump disse que avisou Israel que também não gostou do recente bombardeio a Beirute, mas afirmou que tem uma ótima relação com Netanyahu. Porém, assinalou que o primeiro-ministro precisa ser mais responsável em relação ao Líbano. "Israel está lutando contra o Hezbollah há muito tempo e muitas pessoas estão sendo mortas. Sem os EUA, não haveria Israel, porque nenhum outro presidente estaria disposto a fazer o que eu fiz", citou, sugerindo ainda que seja a Síria a lidar com o grupo Hezbollah.