° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Israel ordena novas evacuações no sul do Líbano após os ataques à cidade de Tiro

Na terça-feira (09), pelo menos oito pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em decorrência dos intensos bombardeios aéreos

Por Isabel Alvarez

Região de Tiro, no sul do Líbano

As forças israelenses emitiram hoje novas ordens de evacuação para três localidades do sul do Líbano. O porta-voz em árabe do Exército de Israel, Avichai Adrai, informou que as ordens afetam as localidades de Qasaniyé, Humin al Fauqa e Ansariya, ressaltando que o Exército se vê obrigado a agir contra o grupo xiita libanês Hezbollah pró-iraniano, devido às suas frequentes violações do cessar-fogo.

"Quem se encontrar perto de elementos do Hezbollah, das suas instalações e dos seus meios de combate, coloca a sua vida em perigo", indicou Adrai.

O porta-voz comunicou que, nas últimas 24 horas, foram lançados vários ataques contra infraestruturas do Hezbollah em Tiro, onde a maioria dos habitantes é cristã, além de ofensivas contra outras zonas do sul do país. Na terça-feira (09), pelo menos oito pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em decorrência dos intensos bombardeios aéreos, que atingiram também uma área residencial da histórica cidade portuária de Tiro, a maior do sul do Líbano. As forças israelenses ordenaram, inclusive, a evacuação da região cristã da cidade, que vinha sendo poupada até o momento e resultou na fuga em massa de civis. Israel classifica agora a região como zona de combate.

Por outro lado, o Hezbollah mantém confrontos contra alvos israelenses, uma vez que rejeita o cessar-fogo estabelecido entre os representantes de Israel e do Líbano, com a mediação dos Estados Unidos, na última rodada de negociações na capital norte-americana.

A escalada das tensões e os ataques também acontecem mesmo com os avisos do Irã que Israel cesse as operações militares no Líbano, caso contrário haverá retaliações, assim como o pedido do presidente dos EUA Donald Trump para que o governo de Tel Aviv interrompesse os bombardeios ao território, uma das condições impostas pelos iranianos para chegar a um acordo de paz entre Teerã e Washington.
Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ainda apelou hoje aos libaneses para se juntarem à luta de Israel contra o Hezbollah. "Israel não está em guerra com vocês. Estamos em guerra com o Hezbollah, que fez o nosso país refém. Ansiamos pela paz com vocês, com o Líbano", declarou o premiê num vídeo divulgado pelo seu gabinete.

Porém, Netanyahu prometeu continuar com ações fortes contra o Irã e os seus aliados, em resposta as críticas feitas hoje pelo presidente turco Recep Tayyip Erdogan.

Erdogan afirmou que os ataques de Israel na Síria e no Líbano atingiram um ponto em que também representam uma ameaça para a Turquia. “A agressão de Israel constitui uma ameaça para o mundo inteiro e deve ser travada. Existem iniciativas lideradas por Israel para desestabilizar a região do Mediterrâneo”, acusou

Enquanto isso, a ONG World Vision, uma das maiores organizações cristãs do mundo, manifestou a sua preocupação com a mais recente onda de deslocações no sul do território Líbano, que afetou cerca de 80 mil famílias forçadas a abandonar as suas casas.