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Diplomacia da UE alerta para "armadilha" em possíveis negociações com a Rússia

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, destacou que qualquer processo de negociação deverá ser conduzido como um esforço coletivo e centrado no conteúdo

Por Isabel Alvarez

Chefe da política externa e diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas

Nesta quinta-feira (28), a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, defendeu que o bloco não deve cair na “armadilha” russa de discutir quem deverá representar a Europa em eventuais ou possíveis futuras negociações sobre a guerra na Ucrânia.

Kallas destacou que qualquer processo de negociação deverá ser conduzido como um esforço coletivo e centrado no conteúdo, que é muito mais importante, e não nos interlocutores escolhidos. “Considero que é uma armadilha em que a Rússia quer que caiamos, que discutamos quem fala com eles quando eles já estão escolhendo quem é adequado ou quem não é. Não caiamos nessa armadilha. As negociações são sempre um esforço de equipe”, afirmou Kallas.

A reação da diplomacia da UE surge um dia após as declarações do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que afirmou que a Rússia esta aberta às negociações com a Europa sobre a guerra na Ucrânia. Peskov indicou que uma negociação entre Moscou e Bruxelas vai ter mesmo de acontecer no futuro e que discutir o futuro da arquitetura de segurança da Europa sem a intervenção de outros países é impossível. “Levamos isto muito a sério. Está em jogo o futuro da arquitetura da Europa, pelo que os outros países do continente europeu não podem ser deixados de fora da discussão. Por isso mesmo, serão necessárias negociações, de uma maneira ou de outra”, afirmou.

Além disso, o presidente russo Vladimir Putin até já sugeriu o nome de Gerhard Schröder, ex- chanceler da Alemanha, como uma boa escolha para o lado europeu. Por outro lado, a Europa rejeitou a sugestão porque Schröder é uma figura muito próxima de Putin.

Também houve muitas reações de lideranças da Europa depois que a Rússia ameaçou recentemente escalar o conflito contra a Ucrânia e que intensificaria as ofensivas com ataques sistemáticos contra alvos em Kiev, instando a evacuação dos funcionários das embaixadas e a saída de estrangeiros da capital ucraniana.

O Serviço Europeu de Ação Externa já convocou essa semana o representante russo e apelou para que cessem os ataques contra civis. "A ameaça da Rússia aos cidadãos estrangeiros e diplomatas para que abandonem Kiev constitui uma escalada inaceitável", disse a porta-voz Anitta Hipper, acrescentando que a delegação da UE permanece em Kiev.

O governo da Finlândia e a Romênia também convocaram hoje o embaixador da Rússia em Helsínquia, que condenaram energicamente as ameaças ilegais e os brutais ataques russos contra a população civil na Ucrânia, bem como a sua campanha de intimidação para exortar o pessoal diplomático dos países europeus a abandonar Kiev. “Uma escalada grave e irresponsável por parte de Moscou”, frisou a chancelaria romena.

Os dois países se juntam assim a França, Alemanha, Espanha, Holanda, Polônia e Bélgica que convocaram seus respectivos embaixadores russos em seus países como protesto. "A Rússia não ditará a presença da Europa na Ucrânia", comunicou o Ministério das Relações Exteriores finlandês.