Europa bate recordes de temperatura para essa época
Continente enfrenta um calor histórico e sem precedentes para o mês de maio, com temperaturas de 10 a 15ºC acima da média
A onda de calor continua a atingir quase toda a Europa ocidental, com temperaturas que superam todos os recordes nesta época do ano em diferentes países do continente, e que já causaram mortes. A Europa enfrenta um calor histórico e sem precedentes para o mês de maio, com temperaturas de 10 a 15°C acima da média.
O Reino Unido bateu recorde histórico para o mês de maio, com as temperaturas chegando a 35°C em Londres, superando a marca anterior de 1922. A Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido emitiu alertas de saúde para a população e pediu cuidado redobrado com idosos e a restrição de atividades extenuantes sob o sol. A Irlanda também apresentou um aumento de 5 °C a 13 °C acima das médias para o período.
Enquanto na França mais de 350 cidades registraram as temperaturas mais altas da história para um mês de maio, com os termômetros atingindo picos de 36 °C a 37°C.
O governo francês contabilizou até o momento sete mortes associadas à onda de calor. A porta-voz do governo, Maud Bregeon, declarou que foram registrados também casos de doença associados à prática de desporto, com dezenas de pessoas hospitalizadas em estado grave em vários pontos do país. “Parece haver sete mortes direta ou indiretamente relacionadas com o calor”, afirmou.
Segundo Bregeon, oito departamentos no oeste de França ainda foram colocados sob alerta laranja de onda de calor, sendo a primeira vez que isso ocorre nesse mês desde a criação do sistema de vigilância.
A Itália, sobretudo em Roma e da região do Lácio, as autoridades restringiram trabalhos sob forte exposição solar, como construção civil e agricultura, durante os horários mais críticos.
Na Espanha a marca atingiu 38°C em muitas províncias e pode chegar a 40°C. Portugal já entrou em alerta, com algumas cidades registrando máximas de até 36°C.
Os meteorologistas explicam que a causa dessa massa de ar extremo é um "domo de calor", no qual o ar quente vindo da África do Norte ficou preso sob uma área de alta pressão. Esse sistema de alta pressão persistente, que pode permanecer no local por dias ou até semanas, age como uma espécie de "tampa de panela", aprisionando o ar quente e empurrando-o para baixo. Os especialistas também alertaram que essa poderosa cúpula quente é um fenômeno meteorológico intensificado pelos efeitos das mudanças climáticas.
“Trata-se de um fenômeno sem precedentes, com uma probabilidade de 1 em 1.000 de ocorrer nesta altura do ano, com base nos dados climáticos de 1979 a 2025, e praticamente impossível na era pré-industrial”, afirmou o cientista climático Christophe Cassou,
A Organização Meteorológica Mundial indica que a Europa é o continente que mais aquece no planeta e advertem que a crise climática provocada pela atividade humana está tornando essas ondas de calor mais intensas, precoces e frequentes. Como muitas cidades e edifícios europeus não possuem infraestrutura para lidar com altas temperaturas, a população idosa e vulnerável fica severamente exposta aos riscos à saúde.