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Líder supremo do Irã ordena que urânio permaneça no país

As fontes disseram que esse posicionamento reflete ainda um consenso entre as principais instituições iranianas sobre a gestão do material

Por Isabel Alvarez

Mojtaba Khamenei

Segundo revelaram duas fontes iranianas de alto nível a imprensa, o Líder Supremo do Irã ordenou que o urânio quase apto para fabricação de armas permaneça no país. As fontes disseram que esse posicionamento reflete ainda um consenso entre as principais instituições iranianas sobre a gestão do material.

Em contrapartida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu nesta quinta-feira (21) que a sua administração não vai deixar que o Irã mantenha o urânio que enriqueceu. "Não. Vamos obtê-lo. Não precisamos dele. Não o queremos. Provavelmente vamos destruí-lo depois de o conseguirmos, mas não vamos deixar que eles fiquem com ele", declarou.

Trump reiterou que Teerã não vai ter uma arma nuclear e que os EUA vão conseguir satisfazer as suas intenções de uma maneira ou de outra. "Neste momento, estamos em negociações e vamos ver, mas vamos conseguir de uma forma ou de outra. Eles não vão ter uma arma nuclear", afirmou, acrescentando que se o Irã obtiver uma arma nuclear haverá uma guerra nuclear no Oriente Médio e essa guerra vai chegar aos EUA e na Europa.

O líder norte-americano ainda enfatizou que não vai aliviar a pressão sobre o governo iraniano enquanto não houver um acordo de paz, entretanto não excluiu a hipótese do conflito recomeçar em poucos dias. “A situação esta no limite e as respostas devem ser 100% boas", frisou.


Por sua vez, o chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, considera que há sinais positivos de que um acordo com o Irã pode ser alcançado. Porém, considerou não querer ser demasiado otimista. "Vamos ver o que acontece nos próximos dias. A preferência do presidente é chegar a um bom acordo, é essa a sua prioridade. Sempre foi essa a sua preferência. Se conseguirmos chegar a um bom acordo seria ótimo. Mas se não conseguirmos chegar a um bom acordo, o presidente deixou claro que tem outras opções. Não vou entrar em pormenores sobre quais são, pois todos sabem", completou.

No entanto, o secretário de Estado norte-americano, avaliou que se o Irã decidir cobrar portagens no Estreito de Ormuz, chegar a um acordo se tornará mais difícil.


EUA e Irã trocam mensagens diplomáticas

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ismail Bagaei, anunciou que o seu país analisa uma nova proposta dos EUA para pôr fim à guerra, em meio às exigências de Trump que o Irã forneça as "respostas certas" sobre as conversações.

O diplomata iraniano confirmou que a troca de mensagens entre os representantes dos dois países decorreu em várias rodadas, sendo que as opiniões dos negociadores norte-americanos estão sendo avaliadas. Bagaei explicou que as duas partes trabalham num texto de 14 pontos apresentado anteriormente pelo Irã e que foram realizadas várias trocas em busca de uma fórmula que satisfaça ambos os lados.

A versão mais recente do texto foi informada a Teerã pelo ministro do Interior paquistanês, Mohsin Naqvi, que chegou na quarta-feira à capital iraniana, na segunda deslocação ao Irã em menos de uma semana. A mídia iraniana diz que o governo pediu a Washington o fim da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, a suspensão das sanções, além da liberação de bens iranianos congelados e a indenização por danos de guerra.

Também o reconhecimento da soberania do Irã sobre o Estreito de Ormuz e o adiamento das negociações sobre o seu programa nuclear foram assuntos solicitados por Teerã, de acordo com fontes da agência France Presse.

Recentemente, o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, garantiu que o país está pronto para enfrentar o que quer que seja. “O adiamento de novos ataques por parte dos Estados Unidos acabam por mascarar uma ameaça de oportunidade para a paz. O Irã, unido e resoluto, está preparado para enfrentar qualquer agressão militar. Para nós, a rendição não tem qualquer significado; ou triunfamos ou nos tornamos mártires”, apontou.