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AIEA diz que é muito preocupante ataque a central nuclear nos Emirados Árabes

O chefe da AEIA explicou que um impacto que desativasse as linhas de fornecimento de energia elétrica à central poderia aumentar a probabilidade de fusão dos núcleos dos reatores, o que poderia resultar numa elevada libertação de radioatividade

Por Isabel Alvarez

Diretor Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi

Na reunião realizada hoje do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atômica (AEIA), Rafael Grossi, alertou que é extremamente preocupante um ataque junto à Central Nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos.

“A situação é extremamente preocupante. Este é um local nuclear no Oriente Médio, onde as consequências de um ataque podem ser muito graves. Trata-se de uma central nuclear em funcionamento e, como tal, abriga milhares de quilogramas de material nuclear no núcleo dos reatores, tanto combustível novo como combustível irradiado. Quero deixar absolutamente claro: em caso de ataque à Central Nuclear de Barakah, um impacto direto poderia resultar numa liberação demasiado elevada de radioatividade para o ambiente", advertiu Grossi.

O chefe da AEIA explicou que um impacto que desativasse as linhas de fornecimento de energia elétrica à central poderia aumentar a probabilidade de fusão dos núcleos dos reatores, o que poderia resultar numa elevada libertação de radioatividade. No pior dos cenários, Grossi apontou que seriam necessárias ações de proteção, como evacuações e abrigo da população ou a necessidade de ingestão de iodo estável, com um alcance que varia entre alguns e várias centenas de quilômetros.

Mas, felizmente a AIEA indicou que o fornecimento de energia à central nuclear de Barakah foi restabelecido depois da reparação dos danos, considerando um passo bastante importante para a segurança nuclear da região.

Os Emirados Árabes Unidos denunciaram no domingo o impacto de um drone que atingiu um gerador que alimentava a central nuclear de Barakah, na região de al-Dhafra, que abrange grande parte do oeste do país, e o incidente gerou um incêndio. O governo dos Emirados afirmou nesta terça-feira (19) os drones que visaram à instalação nuclear partiram do Iraque, onde grupos apoiados pelo Irã têm dirigido ataques contra países vizinhos desde o início da guerra no Golfo Pérsico. Além disso, o Ministério da Defesa do país informou que hoje drones também foram lançados contra áreas civis e vitais, mas foram abatidos e não houve vítimas ou danos.