Trump dá novo ultimato ao Irã para fechar um acordo
Segundo o líder norte-americano, os aliados na região disseram que estava muito perto de chegar a um acordo que impediria o Irã de adquirir armas nucleares, o principal objetivo de Washington
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou hoje um novo ultimato ao governo iraniano para concluir o acordo sobre o seu programa nuclear, sob os termos norte-americanos. "Estou dizendo dois ou três dias. Talvez sexta-feira, sábado, domingo. Algo talvez no início da próxima semana. Um prazo limitado", indicou.
Trump também ameaçou novamente Teerã de que, em caso de fracasso nas negociações em curso, os EUA estão prontos para lançar um ataque militar em grande escala contra o país. Na véspera, ele avisou que havia suspenso uma ofensiva planejada ao Irã em resposta a um apelo de lideranças do Oriente Médio, que se mostraram otimistas com as conversações entre as partes para se alcançar um acordo de paz para o fim do conflito.
Segundo o líder norte-americano, os aliados na região disseram que estava muito perto de chegar a um acordo que impediria o Irã de adquirir armas nucleares, o principal objetivo de Washington. "Não podemos permitir que eles obtenham uma arma nuclear. Se tivessem uma arma nuclear, destruiriam rapidamente Israel e atacariam a Arábia Saudita, o Kuwait, os Emirados Árabes Unidos, o Catar e todo o Oriente Médio. Seria um holocausto nuclear", argumentou.
Em reação a alta desaprovação da guerra em seu país, Trump considera que é muito popular quando as pessoas ouvem que se trata de armas nucleares, armas que podem destruir grandes cidades muito rapidamente. “Seja popular ou não, tenho de fazê-la, porque não vou deixar o mundo explodir enquanto estiver no comando. Isso não vai acontecer", alegou.
Já o vice-presidente dos EUA, JD Vance, declarou nesta terça-feira (19) que os EUA e o Irã fizeram muitos progressos nas suas conversações e que nenhum dos lados quer a retomada da campanha militar. Apesar disso, ontem Vance assegurou que continua a observar divisões na liderança iraniana, na qual avalia que a posição deles nas negociações permanece incerta e o processo é confuso. "Os próprios iranianos não têm muita clareza sobre a direção que desejam seguir. Além disso, o país está dividido. Há a liderança do país, o líder supremo, e muitos outros funcionários abaixo dele que exercem alguma influência nas negociações. Por vezes, não é totalmente claro qual é a posição negocial da equipe. Posso afirmar com segurança que, por vezes, é difícil compreender exatamente o que os iranianos querem alcançar com a negociação", avaliou Vance.
O impasse quanto à conclusão de um acordo tem levado Trump a ameaçar e a recuar inúmeras vezes nas últimas semanas, desde a declaração de um cessar-fogo entre as partes. Teerã, por outro lado, já rejeitou por diversas vezes as condições impostas pela Casa Branca.
Novas sanções
O Departamento de Estado norte-americano confirmou hoje a imposição de novas sanções contra o Irã, que incluem 19 embarcações envolvidas no transporte de petróleo e produtos petroquímicos iranianos para clientes estrangeiros, além de casas de câmbio e empresas de fachada usadas por bancos.
“O sistema bancário paralelo do Irã facilita a transferência ilícita de financiamento para fins terroristas. À medida que o Tesouro desmantela sistematicamente o sistema bancário paralelo e a frota paralela de Teerã no âmbito da Operação Fúria Econômica, as instituições financeiras devem estar atentas à forma como o regime manipula o sistema financeiro internacional para causar destruição”, explicou Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA.