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Cuba adverte para banho de sangue se EUA atacarem a ilha

"As ameaças de agressão militar contra Cuba por parte da maior potência mundial são demasiadamente conhecidas", disse o presidente cubano

Por Isabel Alvarez

Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba

Nesta segunda-feira (18), o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, alertou para o banho de sangue com consequências incalculáveis, para além do impacto destrutivo na paz e estabilidade regional, se os Estados Unidos realizarem as ameaças de atacarem a ilha.

"As ameaças de agressão militar contra Cuba por parte da maior potência mundial são demasiadamente conhecidas", disse Díaz-Canel, acrescentando que só a ameaça já constitui um crime internacional.

O líder cubano destacou que seu país não representa uma ameaça, nem tem planos ou intenções agressivas contra qualquer nação e que administração Trump tem conhecimento disso.

Díaz-Canel não se referiu diretamente às notícias divulgadas pela mídia norte-americana de que Havana teria adquirido drones militares russos e iranianos, porém afirmou que a ilha tem o direito de se defender. "Cuba, que já sofre uma agressão multidimensional por parte dos EUA, tem o direito absoluto e legítimo de se defender contra uma ofensiva militar, um direito que não pode ser usado, lógica ou honestamente, como desculpa para impor uma guerra contra o nobre povo cubano", afirmou.

O chefe da diplomacia cubano, Bruno Rodríguez, também assegurou que Cuba defende a paz, mas que está preparada para enfrentar agressões externas no exercício do seu direito à autodefesa, reconhecido pela Carta das Nações Unidas. "Sem qualquer justificação legítima, o governo dos EUA está construindo, dia após dia, uma narrativa fraudulenta para justificar a guerra econômica implacável contra o povo cubano e a eventual agressão militar", enfatizou, dizendo que os meios de comunicação são cúmplices desse crime.

No domingo, o site norte-americano Axios noticiou que fontes da inteligência dos EUA revelaram que Cuba teria adquirido mais de 300 drones e estaria considerando usá-los para atacar a base militar dos EUA na Baía de Guantánamo, assim como navios de guerra e até a cidade de Key West, na Florida.

Além disso, de acordo com a publicação da agencia Reuters, a Casa Branca tem planos de acusar formalmente na Justiça o ex- líder cubano Raúl Castro, de 94 anos, o que escalou as tensões sobre a ilha e aumentou o receio generalizado de uma eventual intervenção militar norte-americana. , numa altura em que o país já enfrenta a sua pior crise económica e de abastecimento de combustível em décadas.

Enquanto isso, Cuba sofre há meses uma forte pressão desde que Washington bloqueou o fornecimento petrolífero após a detenção do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro, que enviava o material ao governo. Nas últimas semanas, o combustível praticamente se esgotou e a eletricidade só está disponível durante poucas horas por dia, com frequentes apagões. A situação agravou ainda mais a crise energética que atinge o país e desencadeou a sua pior crise econômica.