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Diplomacia brasileira indica falta de diálogo da UE sobre as importações e espera reverter a decisão do bloco

O embaixador do Brasil junto da União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, já adiantou que amanhã (13) se reunirá com autoridades da UE da área de saúde animal

Por Isabel Alvarez

Embaixador do Brasil junto da União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva

O embaixador do Brasil junto da União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, classificou como muito negativa a exclusão do país da lista europeia de exportadores autorizados de animais e produtos de origem animal.

“Faltou um diálogo mais fluido por parte da União Europeia. Recebo essa notícia como uma surpresa. Eu gostaria que o diálogo com o bloco europeu tivesse sido mais frequente e mais fluído. Não é uma boa notícia e esperamos reverter isso”, declarou na coletiva com a imprensa internacional.

Mas, o diplomata já adiantou que amanhã (13) se reunirá com autoridades da UE da área de saúde animal, na qual espera receber esclarecimentos sobre a decisão anunciada hoje pelo bloco econômico. De acordo com Costa e Silva, a questão não estaria diretamente relacionada ao uso de antibióticos, mas à necessidade do Brasil apresentar provas de que possui sistemas de segregação e controle na produção destinada ao mercado europeu.

Ao ser questionado sobre se exigências sanitárias europeias poderiam funcionar como barreiras protecionistas contra produtos brasileiros, o embaixador apontou que medidas sanitárias e fitossanitárias são legítimas e fazem parte do direito de todos os países. "O problema surge quando as exigências não são proporcionais, não são razoáveis. Aí, sim, pode se configurar uma medida protecionista", argumentou.

O diplomata ainda defendeu um diálogo "mais fluido" entre Brasil e União Europeia, assegurando que existe uma visão distorcida sobre a qualidade dos produtos brasileiros e sobre os impactos ambientais da agropecuária nacional. Costa e Silva acrescentou que o Brasil publicou recentemente uma portaria para proibir o uso de antibióticos na produção animal, tema que deverá ser detalhado posteriormente por representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária do país.

O embaixador também criticou a narrativa de agricultores europeus e de alguns países-membros da União Europeia de que o Brasil não cumpre padrões sanitários e ambientais exigidos pelo bloco europeu. “Se o Brasil está no mercado europeu e se o país é o maior fornecedor do mercado europeu de produtos agropecuários, é porque nós cumprimos e temos qualidade. E, depois, me incomoda profundamente a narrativa de que os nossos produtos são de qualidade inferior, mas isso é uma coisa do lobby agrícola europeu e de quem está associado ao lobby agrícola europeu", afirmou.