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Deputados pedem demissão do primeiro-ministro do Reino Unido

O premiê Keir Starmer reafirmou que não irá se demitir e que é a pessoa certa para conduzir a mudança que o país precisa

Por Isabel Alvarez

Primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer

Mesmo após as críticas e apesar da forte pressão para se afastar do cargo de primeiro-ministro britânico devido ao péssimo desempenho nos resultados eleitorais locais e regionais do Partido Trabalhista no Reino Unido, o premiê Keir Starmer reafirmou que não irá se demitir e que é a pessoa certa para conduzir a mudança que o país precisa.

Starmer acrescentou que enfrentará qualquer disputa pela liderança do Partido Trabalhista enquanto cerca de 80 deputados trabalhistas pediram publicamente a sua destituição. "O Partido Trabalhista tem um processo para contestar a liderança e esse processo não foi acionado. O país espera que continuemos a governar. É isso que estou a fazer e o que devemos fazer enquanto governo", disse.

O primeiro-ministro repetiu que assume a responsabilidade pelos maus resultados nas recentes eleições, porém destacou que as últimas 48 horas foram desestabilizadoras para o governo, e isso tem um custo econômico real para o país e para as famílias, numa referência ao aumento dos juros pagos pelo governo sobre os títulos do tesouro.

Já o canal BBC revelou que os deputados exigiram a sua demissão imediata ou com tempo para encontrar um substituto adequado.

As dúvidas sobre a continuidade de Starmer na liderança do Reino Unido cresceram depois do seu partido perder quase 1.500 vereadores nas eleições locais na Inglaterra e a grande derrota sofrida no seu histórico bastião no País de Gales, governado pelo Partido Trabalhista desde 1999, onde o controle do parlamento regional passou de 44 para apenas nove assentos. Na Escócia, a redução da representação no Parlamento de Edimburgo foi de 21 para 17 membros.

Diante disso, deputados trabalhistas também renunciaram em massa aos seus cargos de assessores e secretários de gabinete do governo britânico.

No entanto, em seu discurso a nação o primeiro-ministro prometeu, entre outras coisas, colocar o Reino Unido no centro da Europa após o Brexit, que foi a sua saída da União Europeia.

Mas, a deputada trabalhista Catherine West emitiu um ultimato no sábado, no qual afirmou que, se nenhum dos atuais ministros do gabinete de Starmer se candidatasse à liderança, iria reunir o apoio necessário de 81 pessoas, representando 20% do total de deputados trabalhistas, para forçar uma eleição para a liderança. West disse ainda que a recente declaração de Starmer foi muito pouco e muito tarde, além de notificar formalmente os outros congressistas de que estava recolhendo nomes para solicitar ao primeiro-ministro que estabelecesse um calendário para a eleição de um novo líder em setembro.

Entre os principais candidatos para substituir Starmer está o atual presidente da Câmara de Manchester, Andy Burnham, sendo que para se tornar primeiro-ministro precisa antes disso conquistar uma cadeira no Parlamento. Outros sugeriram o atual secretário da Saúde, Wes Streeting, da ala direita do partido.