Pacientes suspeitos de infecção por hantavírus são retirados de cruzeiro
Três pacientes suspeitos de diagnóstico de hantavírus que estavam a bordo do cruzeiro MV Hondius foram retirados do navio em Cabo Verde
Três pessoas com suspeita de infecção por hantavírus foram retiradas, nesta quarta-feira (6), do navio de cruzeiro isolado ao largo de Cabo Verde e transferidas para os Países Baixos, após especialistas sul-africanos identificarem um caso da cepa Andes, que pode ser transmitida entre humanos.
Os três casos suspeitos a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, epicentro do surto de hantavírus, "acabaram de ser retirados do navio e estão a caminho dos Países Baixos para receberem atendimento médico, em coordenação com a OMS, a operadora do navio e as autoridades nacionais de Cabo Verde, Reino Unido, Espanha e Países Baixos", afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), na rede X.
Enquanto isso, o navio permanece imobilizado na costa de Cabo Verde, aguardando seu destino em Tenerife, uma das ilhas do arquipélago das Canárias, onde deverá atracar nos próximos dias, segundo as autoridades espanholas.
Três pessoas, um casal holandês e uma mulher alemã que viajavam a bordo do MV Hondius, morreram desde o início do cruzeiro, segundo a OMS.
Outro passageiro, um cidadão britânico, foi retirado separadamente e está internado em um hospital de Joanesburgo. Outro está hospitalizado em Zurique, na Suíça, além dos três casos que precisam ser transferidos de Cabo Verde para os Países Baixos.
"Nesta fase, o risco geral para a saúde pública permanece baixo", escreveu Ghebreyesus no X.
Cepa Andes, identificada na África do Sul
O navio fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e o arquipélago de Cabo Verde, na costa oeste da África.
A cepa do hantavírus detectada em um dos passageiros retirados do cruzeiro na África do Sul é a conhecida como "vírus Andes", transmissível entre humanos, declarou o ministro da Saúde sul-africano nesta quarta-feira.
"Testes preliminares mostram que se trata, de fato, da cepa dos Andes", disse o ministro Aaron Motsoaledi a uma comissão parlamentar. "E trata-se da única das 38 cepas conhecidas que pode ser transmitida de uma pessoa para outra", acrescentou.
O Hospital Universitário de Genebra confirmou a identificação da cepa.
O caso do passageiro infectado com hantavírus em Zurique não havia sido mencionado até agora, anunciou o Ministério da Saúde suíço nesta quarta-feira. "Este homem e sua esposa retornavam de uma viagem à América do Sul no final de abril", especificou.
O navio de bandeira holandesa, que ancorou perto do porto de Praia, capital de Cabo Verde, no domingo, transportava 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades, incluindo um argentino e um guatemalteco.
Os que foram retirados nesta quarta-feira eram dois tripulantes supostamente infectados e uma pessoa considerada contato próximo. Segundo Ann Lindstrand, representante da OMS em Cabo Verde, "os três estão em condição estável e um deles é assintomático", afirmou.
Ambulâncias e um navio-ambulância estavam posicionados no porto de Praia na manhã desta quarta-feira, conforme observaram jornalistas da AFP.
A infecção por hantavírus é transmitida por roedores infectados, que eliminam o vírus na saliva, urina e fezes, e pode causar síndrome respiratória aguda.
Rumo às Canárias
Após a retirada dos passageiros, o navio MV Hondius seguirá para as Ilhas Canárias, onde deverá chegar em três ou quatro dias, anunciou o Ministério da Saúde espanhol na noite de terça-feira.
Seu porto de chegada será Tenerife, de acordo com a emissora pública espanhola RTVE, que citou fontes do Ministério da Saúde.
O presidente regional das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, reiterou nesta quarta-feira sua oposição à transferência de pacientes para o arquipélago e lamentou a falta de comunicação do governo central em Madri.
O Ministério da Saúde espanhol explicou na noite de terça-feira que havia "aceitado um pedido formal do governo holandês para receber o médico do MV Hondius, que se encontra em estado grave".
No entanto, o voo que deveria levar o médico do navio para as Ilhas Canárias "foi cancelado", disse à AFP uma fonte próxima à presidência regional.
"O que o governo das Ilhas Canárias lamenta é a falta de informações suficientes para saber se existem riscos a serem enfrentados", acrescentou a fonte, que alegou desconhecer o motivo do cancelamento do voo.
Rastrear rede de contágio
A OMS também iniciou uma investigação para localizar os passageiros do voo da ilha britânica de Santa Helena para Joanesburgo, no qual viajou o passageiro holandês que adoeceu e posteriormente morreu na África do Sul.
A OMS acredita que um ou mais dos casos iniciais "foram infectados fora do navio" pelo vírus e que, posteriormente, ocorreu transmissão de pessoa para pessoa, afirmou Maria Van Kerkhove, diretora do Departamento de Preparação e Prevenção de Epidemias e Pandemias da OMS.
A autoridade sanitária da província argentina da Terra do Fogo indicou que o navio MV Hondius passou por rigorosas inspeções antes de partir de Ushuaia e considerou "improvável" que a doença tenha sido contraída na região.