Líderes de quase 50 países europeus se reúnem em cúpula na Armênia
Durante dois dias, a cúpula reunirá cerca de 50 líderes europeus
A Armênia sedia hoje a primeira conferência anual da Comunidade Política Europeia (CPE), criada desde a invasão russa da Ucrânia, que debaterá a estabilidade do continente diante das tensões geopolíticas mundiais. A cúpula reúne durante dois dias cerca de 50 líderes da Europa, que tem como principais tópicos na agenda as discussões sobre os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio e o seu impacto direto na estabilidade do continente.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu uma Europa independente da importação de combustíveis fósseis e com capacidades militares de cadeias de abastecimento confiáveis através de parceiros que compartilham os mesmos valores.
"Vamos discutir principalmente o tema de uma Europa independente. Temos de reduzir as nossas dependências excessivas em três áreas específicas, sendo a primeira das quais a energia já que dependemos demasiado de combustíveis fósseis importados e, por isso, estamos sempre dependentes dos mercados globais", disse von der Leyen, instando ainda mais recursos dentro da Europa.
Para a dirigente da CE, as energias renováveis e a energia nuclear devem ser produzidas localmente, pois são mais baratas, estáveis e fiáveis, num momento em que a Europa tem a maior rede de acordos de comércio livre, em referencia a aplicação provisória do acordo comercial UE-Mercosul. Von der Leyen também destacou a necessidade de mais independência na defesa e na segurança. "Temos de reforçar as nossas capacidades militares para sermos capazes de nos defender e proteger", afirmou.
O Canadá, representado pelo seu primeiro-ministro, Mark Carney, participa como convidado, sendo a primeira vez que um país não europeu integra uma cúpula da CPE. Carney, por sua vez, salientou que a ordem internacional vai ser restabelecida a partir da Europa.
O evento conta também com a participação do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e do vice-presidente da Turquia, Cevdet Yilmaz, para quem foi feita uma exceção apesar de não serem permitidas substituições de líderes.
Outra novidade do acontecimento é o encontro ser realizado pela primeira na região do Cáucaso do Sul, marcada por tensões históricas e conflitos territoriais, visando reconhecer o percurso geopolítico da Armênia, embora ainda tenha uma forte dependência da Rússia, e para assinalar os esforços e o acordo de paz com o Azerbaijão em relação ao território de Nagorno-Karabakh, que tornaram possível a reunião neste local. Segundo fontes revelaram as mídias, a estratégia da UE passa por reforçar a sua influência através de apoio político, econômico e institucional, buscando ao mesmo tempo reduzir a dependência destes países em relação à Moscou.
A conferência se traduz portanto, num contexto internacional, pelo empenho em demonstrar o apoio contínuo da UE à Ucrânia e as implicações, sobretudo energéticas, do conflito no Oriente Médio.