Nova proposta de paz do Irã deve chegar aos EUA na sexta-feira (1º)
Teerã ainda ameaçou os EUA com ataques longos caso seja atacado
A nova proposta atualizada e revisada pelo governo iraniano para um acordo de paz com os Estados Unidos, entregue através dos mediadores paquistaneses, esta prevista de chegar a Washington na sexta-feira (01).
O presidente Donald Trump também disse ontem que as negociações para terminar a guerra decorrem por telefone, sendo que qualquer proposta de Teerã dependerá de até onde o país está disposto a suspender o seu programa nuclear, destacando que a sua capacidade é uma linha vermelha intransigível para a Casa Branca.
“Nunca haverá acordo a menos que concordem que não haverá armas nucleares”, afirmou, acrescentando que haverá consequências caso a via diplomática não produza os resultados esperados em breve.
Além disso, Trump já estuda hoje com os seus comandantes militares planos para novos ataques ao território iraniano, segundo publicação dos sites Axios e Sky News. As mídias revelam que o líder norte-americano considera retomar os combates em grande escala, numa tentativa de pôr fim ao conflito e resolver o impasse nas negociações.
Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, adiantou que o seu país está pronto para negociar, porém somente se os Estados Unidos mudar o seu comportamento. “Os EUA são inteiramente responsáveis pela insegurança na região”, apontou.
Teerã ainda ameaçou os EUA com ataques longos caso seja atacado. “Qualquer ataque dos EUA ao Irã, mesmo que limitado, vai desencadear ataques longos e dolorosos contra posições regionais norte-americanas”, alertou um alto responsável da Guarda Revolucionária, citado pelos meios de comunicação estatais nesta quinta-feira (30). “Vimos o que aconteceu às suas bases regionais, veremos o mesmo acontecer aos seus navios de guerra”, acrescentou o comandante da Força Aeroespacial, Majid Mousavi.
Enquanto isso, o Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, prometeu proteger as capacidades nucleares do país e que vai eliminar os abusos do inimigo nas vias navais, garantindo a segurança da região do Golfo.
“Noventa milhões de iranianos orgulhosos e honrados, dentro e fora do país, consideram todas as capacidades identitárias, espirituais, humanas, científicas, industriais e tecnológicas do Irã, desde a nanotecnologia e a biotecnologia até as capacidades nucleares e de mísseis, como ativos nacionais, e irá protegê-las tal como protegem as águas, o território e o espaço aéreo do país", declarou Mojtaba Khamenei,
Já o presidente do iraniano, Masoud Pezeshkian, advertiu que qualquer tentativa de bloquear portos iranianos está condenada ao fracasso. “Qualquer tentativa de impor um bloqueio naval e restrições é contrária ao direito internacional e contra os interesses das nações da região, da paz e estabilidade globais, e está condenada a fracassar”, disse Pezeshkian, segundo a agência Mehr News, esta quinta-feira.
Pezeshkian fez estas declarações para assinalar o Dia Nacional do Golfo Pérsico, que comemora a expulsão de Portugal do Estreito de Ormuz no século XVII.
Custo da guerra
As tensões no mercado petrolífero se intensificaram na quarta-feira com a perspectiva de um bloqueio prolongado no Estreito de Ormuz, levando o petróleo Brent, referencia internacional, a um nível que não se via desde 2022 e os primeiros meses da guerra na Ucrânia. O preço do barril Brent atingiu quase 120 dólares. No entanto, após registrarem alta no início do pregão de hoje, superando a máxima de US$ 125, os contratos futuros passaram a cair firme devido a um movimento de realização de lucros e reposicionamento dos agentes financeiros.
O petróleo Brent apresentou uma queda de cerca de 3,34%, sendo negociado a US$ 114,09 por barril para o contrato de junho.O petróleo WTI, referência americana, também recuou dos US$ 104 a US$ 105 por barril, também em movimento de correção. Mas, apesar da queda, o mercado de petróleo opera com alta volatilidade e acumula forte valorização no mês de abril de 2026 por causa dos riscos de oferta global e a incerteza da rota marítima de Ormuz.
Por sua vez, custo da guerra com o Irã para os EUA pode chegar até 50 bilhões de dólares, com a reparação completa de suas bases militares no Oriente Médio. A estimativa de 25 bilhões de dólares que um alto responsável do Pentágono apresentou ontem (29) ao Congresso do país para o custo total até agora da guerra com o Irã é um valor por baixo, que não abrange o custo de reconstruir os danos extensos sofridos pelas bases dos EUA na região assim como a substituição dos equipamentos destruídos. Os ataques iranianos em toda a região do Golfo causaram danos significativos em pelo menos nove instalações militares norte-americanas, atingindo infraestruturas no Bahrein, Kuwait, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Catar.
No entanto, os números oficiais até o momento já confirmam a enorme pressão financeira que a nova frente militar no Oriente Médio exerce sobre os Estados Unidos, além do elevado custo político internamente para Trump, uma vez que boa parte da população, incluindo apoiadores, desaprova a guerra e poderá influenciar ou decidir as eleições legislativas de novembro, nas quais corre o risco de perder a maioria republicana na Câmara dos Representantes.