° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Desastre nuclear de Chernobyl completou 40 anos

O acidente aconteceu quando a Ucrânia ainda integrava a União Soviética

Por Isabel Alvarez

Pessoas seguram velas durante uma cerimônia do 40º aniversário da explosão na usina nuclear de Chernobyl, o pior desastre nuclear civil da história

Na madrugada de 26 de abril de 1986 o reator 4 da central elétrica de Chernobyl explodiu e provocou o maior desastre da História numa central nuclear civil. O acidente aconteceu quando a Ucrânia ainda integrava a União Soviética. O número de vítimas permanece desconhecido, com uma contagem oficial de 31 mortos divulgada na época, porém as estimativas variam entre quatro mil e centenas de milhares, devido a doenças contraídas por exposição à radiação.

No domingo, várias cidades da Ucrânia assinalaram o 40° aniversário do acidente, com cerimônias em memória dos trabalhadores e suas famílias.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou Moscou de “terrorismo nuclear” por continuar a guerra que iniciou com a invasão do seu país, denunciando que drones russos sobrevoam regularmente a central desativada de Chernobyl e que um deles atingiu a cúpula de proteção do reator em fevereiro de 2025. “A Rússia está mais uma vez a levar o mundo ao limite de uma catástrofe provocada pelo homem”, apontou.

Também uma das cinco centrais nucleares da Ucrânia, a de Zaporijia e a maior da Europa, está ocupada por tropas russas desde o início do conflito.

Além disso, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) enviou hoje uma equipe para Zaporijia, após um ataque que matou um trabalhador da central, comunicando que investigará o incidente e continuará a monitorizar a situação.

O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, reiterou que os ataques contra ou perto de centrais nucleares podem pôr em risco a segurança nuclear e não devem ocorrer.

Por outro lado, a Rússia denunciou a Ucrânia pelo ataque, ao afirmar que um motorista foi morto hoje quando um drone das Forças Armadas ucranianas atingiu o departamento de transportes da Central Nuclear de Zaporijia.

As homenagens as vítimas também ocorreram em Moscou. “Este acidente obrigou-nos a efetuar uma revisão completa dos nossos conceitos de segurança. Hoje em dia, a possibilidade de ocorrer um cenário como o de Chernobil nos reatores nucleares russos foi descartado”, afirmou Alexei Likhachev, o chefe da agência nuclear russa Rosatom.

No tributo, Likhachev ainda destacou o trabalho heróico dos mais de 600 mil técnicos, militares, bombeiros e médicos que atuaram para conter a explosão.

Os Estados Unidos lembrou a data e o Departamento de Estado considerou que a tragédia mudou para sempre a forma como o mundo pensa a segurança nuclear. “A catástrofe obrigou os EUA e parceiros a criar padrões internacionais mais rigorosos e melhores protocolos de segurança para proteger as comunidades a nível global. A energia nuclear deve permanecer em mãos responsáveis e comprometidas com a transparência. Os EUA lideram o caminho para garantir que a energia nuclear permaneça segura, protegida e confiável para o futuro”, declarou a diplomacia norte-americana.

Já o Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), que reúne instituições ambientalistas de Portugal e da Espanha, aproveitou o aniversário de Chernobyl para reafirmar que a energia nuclear não é solução para a crise energética. “A nuvem nuclear liberada há 40 anos percorreu quase toda a Europa, incluindo a Espanha, e chegou até ao Japão, e a contaminação radioativa continua a afetar ecossistemas, cadeias alimentares e comunidades humanas. Chernobyl continua a nos recordar que não há energia nuclear segura. Há apenas riscos que, mais cedo ou mais tarde, se tornam realidade”, disse o MIA.