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OTAN diz que pode fazer parte de uma possível missão no Estreito de Ormuz

As declarações de Rutte surgem um dia após ter se encontrado com o presidente norte-americano, Donald Trump

Por Isabel Alvarez

Secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, declarou que a aliança está disposta a ter um papel numa possível missão no Estreito de Ormuz. "Se a OTAN puder ajudar, evidentemente então não há nenhuma razão para não fazê-lo", diz Rutte.

As declarações de Rutte surgem um dia após ter se encontrado com o presidente norte-americano, Donald Trump, tendo reconhecido ainda que alguns parceiros foram lentos no apoio aos Estados Unidos na guerra contra o Irã. Mas, explicou que os aliados foram surpreendidos pelas operações dos EUA no Oriente Médio e que agora a Europa está disposta a fornecer um apoio maciço a Washington.

O chefe da OTAN também indicou que a Europa está assumindo uma parte maior e mais justa das tarefas que deve providenciar à aliança militar. “Quase sem exceção, os aliados estão a fazer tudo o que os EUA pedem”, destacou, acrescentando que a Europa ouviu e está a responder aos pedidos do presidente Trump.

Rutte afirmou que a liderança norte-americana é absolutamente essencial se a liberdade for para a ser a regra e não a exceção, elogiando ainda o compromisso de Trump em reverter mais de uma década de estagnação da OTAN. O chefe da Aliança Atlântica ainda acrescentou que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, está certo quando diz que a aliança não pode ser uma via de sentido único.

“A OTAN não era uma aliança de sentido único quando tropas norte-americanas, europeias e canadenses combateram e se sacrificaram ombro a ombro no Afeganistão”, recordou.

Rutte agradeceu à liderança norte-americana e ao comprometimento coletivo para garantir a contínua liberdade e segurança. “A OTAN está crescendo mais forte. A aliança está num processo de transformação e os países europeus estão dispostos a acautelarem mais as questões de defesa”, concluiu.

Na reunião entre Rutte e Trump na Casa Branca, o líder dos Estados Unidos ameaçou mais uma vez retirar seu país da Aliança Atlântica e acusou a OTAN de ter virado as costas aos americanos no conflito contra o Irã e na questão do fechamento do Estreito de Ormuz.

"A OTAN não estava lá quando precisamos dela, e não estará lá se precisarmos dela novamente. Lembrem-se da Groenlândia, aquele pedaço de gelo enorme e mal gerido", publicou Trump na rede social Truth, em referência a sua exigência à Dinamarca, membro da OTAN, que cedesse aos Estados Unidos a soberania do seu território.

Por seu lado, Rutte confirmou que Trump se mostrou claramente desapontado com a aliança, mas que mesmo assim saiu receptivo desse encontro. “O presidente ouviu atentamente os argumentos apresentados sobre a situação na Europa em relação à guerra no Irã”, disse Rutte, mas assumindo que nem todas as nações europeias cumpriram os seus compromissos.

Na capital norte-americana, Rutte se reuniu ainda com Rubio. Em comunicado, o Departamento de Estado informou que ambos discutiram o conflito com o Irã, juntamente com os esforços norte-americanos para negociar o fim da guerra entre a Rússia e a Ucrânia e reforçar com os aliados da OTAN a coordenação e a transferência de responsabilidades.

Entretanto, Trump voltou a criticar a OTAN após o encontro com o secretário-geral da Aliança Atlântica devido à ausência durante o conflito no Irã e por não participarem ativamente numa operação para reabrir o Estreito de Ormuz.