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Reino Unido e França defendem extensão do cessar-fogo ao Líbano

A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper afirmou estar profundamente preocupada com o agravamento dos ataques

Por Isabel Alvarez

ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper

A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, defendeu hoje que é preciso estender o cessar-fogo entre os Estados Unidos e Irã ao Líbano.

Cooper afirmou estar profundamente preocupada com o agravamento dos ataques realizados na quarta-feira (8) por Israel contra o território libanês. "Vimos as consequências humanitárias destes atos, incluindo a deslocação em massa de pessoas no Líbano. Queremos ver o Líbano incluído no cessar-fogo. Queremos que seja estendido para cobrir o Líbano, caso contrário isso desestabilizará toda a região. A escalada que vimos ontem por parte de Israel foi altamente prejudicial, e queremos ver um fim às hostilidades para evitar que o cessarfogo entre os EUA e o Irã seja desestabilizado”, declarou a chefe da diplomacia britânica.

A França também condenou os bombardeios massivos israelenses ao Líbano, que causou cerca de 250 mortos e deixaram mais de mil pessoas feridas. “O cessar-fogo acordado pelo Irã e pelos Estados Unidos deve também abranger ações militares no Líbano”, disse o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot.

Barrot acrescentou que espera que o regime de Teerã ainda faça uma série de concessões como parte das negociações de paz que serão realizadas no Paquistão. “O Irã deve abdicar de possuir armas nucleares e meios para obtê-las, deve abandonar o uso de seus mísseis e drones para ameaçar países da região e desistir de apoiar grupos como o Hezbollah, o Hamas e os Houthis que desestabilizam a região, além de abrir o tráfego no Estreito de Ormuz”, indicou.

Já o presidente francês Emmanuel Macron conversou ontem com o presidente do Líbano, Joseph Aoun, e com o primeiro-ministro do país, Nawaf Salam, prestando total solidariedade aos mortos e feridos na ofensiva. Além disso, destacou esperar que o cessar-fogo se cumpra em todas as áreas de confrontação, incluindo no Líbano. "Condenamos estes ataques com a maior veemência possível. Representam uma ameaça direta à sustentabilidade do cessar-fogo que acaba de ser alcançado. O Líbano deve estar totalmente abrangido por este", apontou.

Macron também falou com os presidentes dos EUA Donald Trump e do Irã, Masoud Pezeshkian, saudando ambos pela decisão de aceitar um cessar-fogo como a melhor solução possível e que deve abrir caminho para negociações abrangentes, capazes de garantir a segurança de todos no Oriente Médio.

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, exortou que o acordo de cessar-fogo entre Washington e Teerã deve ser obrigatoriamente estendido ao Líbano. “A atual ofensiva israelense está colocando a trégua sob uma pressão severa”, escreveu Kallas, na rede social X, instando ainda o desarmamento do grupo xiita libanês Hezbollah para assegurar a estabilidade regional.

Israel, Estados Unidos e Paquistão fizeram declarações contraditórias sobre se o Líbano estava incluído no cessar-fogo temporário. A posição do Paquistão, mediador de ambos os lados, diz que o Líbano estava incluído, por sua vez Tel Aviv e a Casa Branca negaram.

Por outro lado, o Hezbollah anunciou nesta quinta-feira (9) que disparou mísseis contra o norte de Israel no seu primeiro ataque contra o país desde que os EUA alcançaram um acordo de trégua temporária com o Irã. “O ataque foi uma resposta as violações do cessar-fogo por parte de Israel, depois de l ter lançado o seu maior ataque contra o Líbano”, diz o comunicado.

Enquanto o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, já afirmou que um cessar-fogo no Líbano é uma das condições essenciais estabelecidas por Teerã no seu plano de dez pontos, base para a trégua com os Estados Unidos. Na conversa que teve com Emmanuel Macron, Pezeshkian disse que a aceitação do cessar-fogo por parte do Irã é um sinal claro da sua responsabilidade e da sua genuína disponibilidade para resolver conflitos através dos canais diplomáticos.

Mas, Segundo publicado por agências de noticias, o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu acabou de afirmar que deu instruções para que negociações diretas com o governo de Beirute comecem assim que possível. “As negociações vão ter como foco o desarmamento do Hezbollah e o estabelecimento da paz entre Israel e o Líbano”, avançou o premiê.

O embaixador iraniano no Paquistão, Reza Amiri Moghadam, também adiantou que a delegação do seu país chegará à Islamabad na noite de hoje para dar inicio as negociações de um acordo com as autoridades norte-americanas com base nos 10 pontos propostos pelo Irã. “Apesar do ceticismo da opinião pública iraniana devido às repetidas violações do cessar-fogo por parte do regime israelense”, pontuou.