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Reunião sobre acordo entre EUA e Irã deve ocorrer ainda essa semana no Paquistão

O cessar-fogo de duas semanas foi aceito depois Trump suspender os ataques sob a condição de que o Irã garanta a abertura segura do Estreito de Ormuz e interrompa as agressões

Por Isabel Alvarez

Primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que mediou o cessar-fogo de duas semanas na guerra entre os Estados Unidos e o Irã, convidou as partes para conversas oficiais de paz após o acordo de trégua ainda nessa semana. A previsão é de que as delegações de ambos os lados devem se encontrar na sexta-feira (10) em Islamabad e o objetivo são discutir detalhes de propostas para um acordo definitivo e a busca por uma paz duradoura.

O regime de Teerã confirmou a presença na reunião, com relatos indicando que a delegação será liderada pelo presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf. Enquanto, a delegação norte-americana deve ser chefiada pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance, nas negociações presenciais.

O cessar-fogo de duas semanas foi aceito depois do presidente dos EUA, Donald Trump, suspender os ataques sob a condição de que o Irã garanta a abertura segura do Estreito de Ormuz e interrompa as agressões.

Mas, apesar de Teerã confirmar a participação, a cúpula ocorre em um momento de alta tensão, com o Irã expressando cautela e desconfiança em relação ao lado americano. "Não depositamos qualquer confiança na outra parte. As nossas forças militares se mantêm em estado de prontidão, mas, entretanto, partiremos para as negociações para ver até que ponto o outro lado está levando isto a sério", disse o embaixador iraniano na ONU, Ali Bahreini.

Mas, o Irã também já ameaçou hoje se retirar do acordo de cessar-fogo se os ataques ao Líbano continuarem, alegando que o fim da guerra em todas as frentes fazia parte do acordo de trégua com a Casa Branca. Além disso, a Marinha iraniana ameaçou destruir os navios que tentassem atravessar o Estreito de Ormuz sem a autorização de Teerã. "Os termos do cessar-fogo entre o Irã e os EUA são claros e explícitos: os EUA têm de escolher, cessar-fogo ou continuação da guerra através de Israel. Não podem ter as duas coisas. O mundo assiste aos massacres no Líbano. A bola está do lado dos EUA, e o mundo está atento para ver se o país cumprirá os seus compromissos", disse Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã.

No entanto, há pouco o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que o cessar-fogo com os EUA foi rompido dentro do território iraniano. Pezeshkian avisou que duas ilhas iranianas, as de Lavan e Siri, foram bombardeadas hoje, embora não tenha citado de onde teriam vindo os ataques.

Por outro lado, o presidente norte-americano, Donald Trump, apontou que os ataques israelenses contínuos ao Líbano como um "conflito à parte" com o Hezbollah e que não estava incluído no acordo. "Sim, não estavam incluídos no acordo. Por causa do Hezbollah. Isso também vai ser resolvido. Está tudo bem", garantiu.

Trump acrescentou que Washington irá trabalhar em estreita colaboração com o Irã no âmbito do cessar-fogo de duas semanas e disse que será discutido o alívio de tarifas e de sanções contra o país, afirmando que já houve uma mudança de regime muito produtiva. Porém, anunciou tarifas imediatas de 50% a qualquer país que forneça armas militares aos iranianos. Trump também criticou em sua rede social Truth Social que "charlatões" estão divulgando informações falsas acerca do cessar-fogo. "Inúmeros acordos, listas e cartas estão sendo enviados por pessoas que não têm absolutamente nada a ver com a negociação EUA/Irã; em muitos casos, são charlatães. Existe apenas um conjunto de pontos relevantes que são aceitáveis para os Estados Unidos, e iremos discuti-los à porta fechada durante estas negociações. Estes são os PONTOS que constituíram a base sobre a qual concordamos com um CESSAR-FOGO. Trata-se de algo razoável e de que se pode facilmente prescindir", escreveu.

Já o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou nesta quarta-feira (8) que o Estreito de Ormuz está aberto e que as forças armadas dos EUA vão permanecer no Oriente Médio para assegurar que o Irã cumpre o acordo de trégua. Hegseth ainda disse que o Irã implorou por este cessar-fogo e que a operação Fúria Épica foi uma vitória histórica e esmagadora no campo de batalha. “Uma vitória militar com V maiúsculo, sob qualquer ponto de vista", definiu.

Segundo publicação do jornal New York Times, o governo iraniano aceitou o cessar-fogo de duas semanas proposto pelo Paquistão, após uma intervenção de última hora da China, que pediu a Teerã para que demonstrasse flexibilidade e reduzisse as tensões.

Enquanto isso, o diplomata francês Jean Arnault, enviado pessoal do secretário-geral da ONU, António Guterres, chegou ao Irã para apoiar os esforços na solução do conflito.