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Coordenação da UE para o petróleo e o gás se reúne para discutir o impacto da guerra nos mercados

A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, alertou que nenhum membro do bloco vai conseguir superar a crise energética sozinho

Por Isabel Alvarez

Bandeiras da União Europeia em frente ao Banco Central Europeu, na Alemanha

A porta-voz da Comissão Europeia, Anna-Kaisa Itkonennuma, declarou hoje que os grupos de coordenação da União Europeia para o petróleo e o gás vão realizar novas reuniões, respectivamente na quarta-feira e na quinta-feira, para discutir o impacto no mercado causado pela guerra no Irã.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, alertou que nenhum membro do bloco vai conseguir superar a crise energética sozinho e apelou à união de todos e a um espírito de estabilidade e resistência.

Mas um dos diretores do Banco Central Europeu (BCE) e vice-presidente do Conselho de Supervisão, Frank Elderson, também avisou que a Europa deve reduzir a importação de energias fósseis, que é uma das suas principais vulnerabilidades e pesa sobre a missão do BCE.

"A dependência energética da Europa complica cada vez mais a tarefa de manter a estabilidade dos preços. A Europa deve fazer a transição agora ou pagar caro mais tarde. É preciso diminuir a dependência dos combustíveis fósseis importados e acelerar uma transição ordenada para energias limpas produzidas localmente. Alcançar os objetivos do continente em matéria de energia limpa enfraqueceria a ligação entre a volatilidade dos mercados globais e os preços internos”, disse Elderson.

Por sua vez, o diretor da Agência Internacional da Energia (AIE), Fatih Birol, alertou que a atual crise do petróleo e do gás, desencadeada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, é mais grave do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas. "O mundo nunca viveu uma perturbação no abastecimento energético de tal magnitude", afirmou.

Birol acrescentou que os países europeus, assim como o Japão, a Austrália e outros, serão afetados, mas que os países mais em risco são as nações em desenvolvimento, que sofrerão com a subida dos preços do petróleo e do gás, o aumento dos preços dos alimentos e uma aceleração generalizada da inflação. Os países-membros da AIE já acordaram no mês passado liberar parte das suas reservas estratégicas. “Uma parte dessas reservas já foi liberada e o processo continua”, informou.

Nesta terça-feira (7), os preços do petróleo voltaram a subir em decorrência das ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de intensificar os ataques contra o Irã e destruir o país, caso não haja um acordo e o Estreito de Ormuz não seja reaberto até hoje à noite. O Brent, referência global para o preço do crude, esta acima dos 110 dólares por barril. O WTI, referência norte-americana, seguiu um padrão semelhante, sendo negociado nos 113 dólares por barril.

Enquanto isso, a Mehr News, agência de notícias iraniana, revelou que a ilha iraniana de Kharg, por onde passam 90% das exportações de petróleo de Teerã, foi alvo hoje de vários ataques norte-americanos. A notícia foi publicada também pelo site Axios. A IRNA, a agência de notícias oficial e estatal do Irã, reportou que um ataque atingiu uma ponte ferroviária em Kashan, matando duas pessoas, e outra ofensiva visou uma ponte na autoestrada Tabriz-Zanjan, no noroeste do país.

Já a Guarda Revolucionária do Irã avisou aos países do Oriente Médio que a contenção acabou e garantiu que atacará infraestruturas dos Estados Unidos e dos seus parceiros, ameaçando ainda perturbar durante anos o abastecimento regional de petróleo e gás. O regime de Teerã ainda apelou à população para formarem correntes humanas junto das centrais elétricas após Trump ameaçar destruí-las.

Além disso, o embaixador iraniano no Paquistão, Reza Amiri Moghadam, adiantou que os esforços positivos e produtivos do Paquistão, que atua como mediador para cessar a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, estão se aproximando de uma fase crítica e delicada.