OMS denuncia 92 ataques contra instalações de saúde no Líbano
De acordo com as Nações Unidas, o Líbano vive um colapso financeiro e o atual conflito pode reduzir o PIB em até 9,2%
A Organização Mundial da Saúde (OMS) comunicou nesta segunda-feira (6) que, desde o dia 28 de fevereiro, foram registrados 92 ataques contra instalações de saúde, veículos e pessoal médico no Líbano, provocando um total de 53 mortos e 137 feridos.
"Esses atos não se podem tornar a nova normalidade. À medida que Israel expande suas operações militares, apelo a todas as partes para que cumpram suas responsabilidades perante o direito internacional humanitário e garantam a proteção das instalações de saúde, dos profissionais de saúde e dos pacientes”, apelou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS,
Um ataque israelense mais recente também aconteceu próximo ao Hospital Universitário Rafik Hariri, o maior centro médico público do Líbano, que causou quatro mortos e 39 feridos.
A OMS alertou que, no final de março, a média era de dois ataques por dia, com cinco casos apenas no dia 28 de março, afetando instalações em Kfar Tibnit, Ghandouriyeh, Zawtar Al Gharbiyeh, Kfar Dajal e Jezzine, num total de nove pessoas mortas.
Também segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, desde o inicio da onda de ataques israelenses contra o grupo xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, mais de um milhão de pessoas tiveram que se deslocar dentro os território, enquanto 200 mil fugiram para a Síria. A ONU ainda revelou que foram registrados até o momento quase 1.500 mortos e 4.639 ficaram feridas.
A coordenadora especial da ONU para o Líbano, Jeanine Hennis-Plasschaer, já avisou que o impacto humanitário no Líbano atingiu níveis devastadores. A ONU aponta que o sistema de saúde está sob forte pressão, com centenas de unidades de saúde afetadas por ataques, o que reduziu intensamente a capacidade de atendimento médico. O Líbano depende fortemente de ajuda internacional, com a União Europeia e outras agências da ONU fornecendo assistência humanitária de emergência para suprir a falta de recursos básicos.
Além disso, o país enfrenta uma das piores crises financeiras do mundo, com desvalorização extrema da moeda, alto desemprego e falência bancária. De acordo com as Nações Unidas, o Líbano vive um colapso financeiro e o atual conflito pode reduzir o PIB em até 9,2%. A pobreza atinge mais de 55% da população e a guerra agravou ainda mais a situação. A insegurança alimentar piorou drasticamente, sendo que a distribuição de alimentos e a operação de padarias estão comprometidas, aumentando a fome